domingo, 6 de agosto de 2017

Sinais promissores

Ganhámos. Marcámos dois golos, não sofremos nenhum e não precisámos do vídeo-árbitro. Estamos em primeiro. Quem quer ver ópera vai ao S. Carlos. Quem quer ver uns tipos a correr de calções vai ao Mundial de Atletismo, em Londres. Limpinho, limpinho, como diria o outro, que agora é o nosso. Isto é o que manda dizer o livro de estilo de qualquer “blogger” que ande a escrever sobre bola depois de um jogo como o de hoje contra o Aves.

Finalmente temos um argentino feio. Ele também o sabe e sabe viver com isso. Não lhe resta outra alternativa que não seja jogar à bola, isto é, atacar, defender, correr, rematar e cruzar. Estava um pouco farto do Bryan Ruiz a fazer a sempre a revienga do costume, culminada com a passagem das mãos pela cabeça para ajeitar a melena. O Acuña faz o que é preciso fazer por que sabe que não pode ganhar a vida de outra forma.

Parece que também temos outro argentino parecido com um argentino: um tal de Battaglia. Tinha saudades daqueles meio-campistas que estão sempre a tropeçar na bola e nos adversários, acabando tudo numa confusão e nuns carrinhos. O rapaz também parece ter auto-estima. Não me parece que o Jorge Jesus o tenha metido para fazer uma jogada de ataque que desse o segundo golo. Entrou para a retranca que o Aves estava a agigantar-se e mais parecia o Steaua de Bucareste.

Há um enorme “upgrade” na direita. O Schelotto tinha a mania de querer participar no ataque e de emparelhar com o Gelson, que, industriado pelo Jorge Jesus ou por ser bom companheiro, levava a sério essa vontade, passando-lhe a bola e condenando logo ali qualquer jogada. Com o Piccini a música é outra. A tremedeira a defender é tanta que, na dúvida, não passa do meio campo (ficou na retina, como se costuma dizer, o passe a rasgar para as costas do Coates, deixando o avançado do Aves isolado).

De uma vez por todas, é preciso que a equipa e ele próprio percebam quem é o craque. Se pensa que é o Bruno de Carvalho, está enganado. Deixou de ir para o banco. Também não é o Jorge Jesus, embora esteja convencido disso. Podia ser o Octávio Machado, mas agora é tarde. O craque da equipa é o Gelson Martins. É preciso que todos tenham consciência disso e que o rapaz se consciencialize disso também. Ao craque não se dão orientações quando tem a bola. Faz o que lhe vier à cabeça e ninguém tem nada com isso. É que o rapaz continua a hesitar em certas situações, enquanto procura o Bas Dost como lhe disse o mister. É preciso dizer-lhe que quando lhe der na cabeça pode, como hoje, entrar na área e marcar golos sem pedir autorização a ninguém.

8 comentários:

  1. Só uma achega, o Téo não falhava aquela oportunidade do Acuña e aquela receção de bola do Dost, numa assistência magistral do Podence, tiha-lhe batido na canela e ía para a baliza. lol

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    1. Meu caro,

      O Téo falhava o remate e por falhar o remate marcava golo. O Téo também falhava a recepção. Falhava a recepção e, como diz, a bola acabava a bater-lhe na canela a tabelar no adversário e a enganar o guarda-redes. O Téo era o próprio Nhaga.

      SL

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  2. Já sentia falta destes resumos... bom começo de época para o Rui Monteiro - boa continuação.

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    1. Meu caro,

      Obrigado. Vamos ver se continuamos assim: a ganhar e a continuar a dar motivos para nos rirmos um pouco.

      SL

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  3. Também já tinha saudades... De ver os nossos a jogar a sério e destas crónicas pós-jogo!
    Vamos a eles que faltam mais 33 iguais aos de ontem!!
    SL

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    1. Meu caro,

      Esperemos que sim, embora me pareça que andam lá uns tantos que ainda pensam que estão na praia.

      SL

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  4. Caro Rui,

    É bom ter as suas crónicas de volta. Ainda estamos no início da época e já mostra uma forma notável, faz lembrar o William Carvalho para quem esta coisa das pré-épocas parecem conversa para encher jornais.

    Quanto ao Sporting também vi bons sinais. E acho que termina com chave de ouro. Temos um craque, temos mesmo é de aproveitar o rapaz. Deixem jogar o Gelson!

    SL,

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    1. Caro João,

      Obrigado, mas consigo estar mais gordo ainda do que o William Carvalho.

      Esta questão do Gelson Martins parece-me decisiva. O rapaz não tem o estatuto do início da época passada. É o craque. Dentro de certas regras, quando está nos últimos trinta metros tem que decidir pela cabeça dele. De outra forma, hesita e torna-se previsível. Só que o Jorge Jesus pensa que ele é que é o craque. Sendo assim, os jogadores têm que fazer o que a ele lhe passa pela cabeça. Mandar não é isso. Mandar, neste caso, pode ser mandar o miúdo decidir pela cabeça dele nos últimos trinta metros.

      Quem dirige organizações inteligentes sabe que é assim. Não se manda fazer de uma determinada maneira quando a pessoa a quem se manda sabe mais do assunto do que nós. Só os inteligentes reconhecem a indiligência dos outros.

      SL

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