segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Emocionante estabilidade

Já alguém se tinha queixado aqui da estabilidade que vivemos. Ontem foi mais um desses casos. Aconteceu tudo o que costuma acontecer. Primeira parte desastrosa, erros individuais de um Bruno César defesa esquerdo, de um Rúben Semedo desastrado e de um Rui Patrício em péssima forma. Muito domínio, pouco futebol.

Na 2a parte o habitual. Sangue, suor e, tivéssemos nós um pouco menos de sorte ou eles um pouco mais de Casilhas, também teriam havido lágrimas. A única (decisiva?) diferença no guião habitual terá sido a capacidade de gerir os últimos minutos longe da nossa baliza. De resto, estabilidade...

Agora é preciso manter a estabilidade. Ganhar em casa ao Rio Ave. Faz meio campeonato que fizemos o nosso pior jogo. Ou talvez apenas a pior primeira parte. Teremos aprendido alguma coisa?

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Esta estabilidade mata-me...


Disse o Senhor Presidente que: «ninguém nos vai desestabilizar!»
Já eu, confesso, começo a desconfiar de tanta estabilidade.
Tem sido tudo tão estável que parece que sabemos de antemão os resultados.
Nada é imprevisível, não há surpresas. Não há magia.
Esta estabilidade anda a mexer-me com os nervos!
Esta estabilidade mata-me!


domingo, 5 de fevereiro de 2017

Golos de meninos ou uns verdadeiros anjinhos?

Mais uma vez um jogo nosso teve duas partes distintas. Não três, não quatro, duas, sempre duas, mediadas pelo intervalo, como se cada quarenta e cinco minutos fosse um tributo à nossa paciência ou ansiedade.

Na primeira das partes JJ decidiu (mais uma vez) inventar. Teve um sonho e de lá saiu o Matheus Pereira que apenas tinha um minuto no campeonato. O Matheus Pereira concorreu de certeza para o penteado mais exótico do jogo. Enquanto esteve em campo ganhou esse prémio e nada mais. Andava perdido a respirar por um(a) Palhinha. O Palhinha não teve culpa, não, não é responsável pelo súbito amor à formação dos responsáveis do clube. Na verdade a defesa de uma equipa não se trata apenas da defesa da equipa. A equipa ou defende ou sai de cima. Para defender é preciso entrar em campo. A equipa não entrou em campo na primeira parte. Ponto. Daí a questão, sofremos golos como meninos, ou somos verdadeiros anjinhos?

A entrada (mais uma) na segunda parte levou-nos paro o campo das coisas diabólicas. Diabólico, porque aquilo não se faz aos nossos nervos. Diabólico o gato-sapato que fizeram da equipa do porto, verdadeiramente banalizada, sem fazer qualquer remate à nossa baliza. Justiça ao Ruiz que lá vai rematando de meia distância, para não ser sempre o Adrien a falhar. Falhamos uns…o guarda-redes defendeu outros. O árbitro não assinalou um penalti contra o Porto, por mãos (assim mesmo no plural) na bola. Nada de novo. O Zeegelaar continua Zeegelaar. O Ezequiel Schelotto continua Ezequiel Schelotto. O Semedo continua a distrair-se com a bola, concorrendo para o gajo em campo com o maior sangue frio a despropósito. O Bryan continua triste. Nós continuamos…a meio caminho andado de um pacemaker.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Outras palhaçadas


O dia correu bem. Choveu e fez frio, como deve ser nesta altura. O sol nasceu e brilhou, mesmo com Trump e as suas tropelias desajeitadas. O dia foi correndo bem e feliz. Acabei a ver um jogo de hóquei patins, um desporto que muito prezo e que me trouxe onde estou hoje. O jogo foi decorrendo, animado, bem disputado, aceso e até bonito. Era um SLB vs SCP. Tudo foi correndo segundo a normalidade até que o jogador Carlos Nicolia do SLB ter decidido vigarizar o seu desporto, envergonhar a sua profissão  e abruptamente mudar de actividade. Começou a contornar a baliza como hoquista, acabou estatelado em glória e vergonha como palhaço ovacionado. Foi bem acompanhado pela trupe do costume e certamente não foi inovador nestas interpretações. A mim, como adepto deste e do desporto, envergonhou-me. Devo dizer que adoro a verdade, o desporto e detesto palhaços. Não é uma fobia mas sempre os achei gente triste e amargurada a impingir gargalhadas naturalmente forçadas. Esse Carlos Nicolia decidiu deixar de ser desportista e optou por ser palhaço. Está no seu direito, é até um palhaço consagrado como campeão do mundo da modalidade mas espero sinceramente que os seus filhos, se os tiver ou vier a ter, não o tenham visto ou venham a ver, fazer aquele número de circo. Havia, como sempre, outros palhaços, pois isto do desporto nacional é um circo a sério, uma grande produção mas a participação destes pequenos intérpretes, como hoje com este animado e experiente palhaço argentino de patins, é essencial, não há corte sem bobo. Não me estragou o dia. Fiquei com pena dele, como sempre fico quando vejo palhaços, mesmo quando são campeões do mundo.  
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sábado, 21 de janeiro de 2017

O que fazer?...

Foi um dos piores jogos do Sporting nos últimos anos. Não só jogámos mal como levámos dois golos ridículos, com o Rui Patrício a ficar mal na fotografia. Empatámos. Merecíamos ganhar? Claro que sim. Marcámos três golos e sofremos dois. Anularam-nos, mal, um. O que se pode fazer?...

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

E agora?...

Até nós, que não sabemos nada disto, tínhamos percebido há muito os problemas da equipa. Tínhamos percebido que o treinador tinha feito o diagnóstico bem feito. Depois de se ter contratado quem se contratou, também não valia a pena chorar sobre o leite derramado. Importava encontrar soluções no contexto dos constrangimentos existentes. Competia ao treinador encontrá-las. Não as encontrou. Espera-se pela próxima época?...

domingo, 15 de janeiro de 2017

blá blá blá

Fiz um esforço hercúleo para não escrever nada sobre o jogo de ontem com o Chaves. A razão é óbvia: nada de novo. Quer dizer, nada para além de um blá blá blá que já nos irrita. Entramos no jogo sabendo do resultado do nosso rival que nos proporcionava uma hipotética aproximação, e nem isso nos deu um alento extra. Papámos um golo logo no início e continuamos a remoer a coisa a passo de caracol, cujo rasto é reconhecido a milhares de quilómetros. Um jogo mastigado e regurgitado como se de uma gravação se tratasse. Ainda assim marcámos através do suspeito do costume.

Com a barriga a dar horas, acreditei piamente numa segunda parte de estoiro. E assim foi… mas para a minha barriga. O distraído Semedo lá encaixou mais uma expulsão e assim lá pudemos sorrir da nossa desventura marcando um golo (outra vez) através do suspeito do costume. Duas ou três oportunidades e dois golos. Nada mau. A não ser, talvez, o desmaio colectivo que nos assalta seja com frio, seja com um sol caloroso, nunca nada está ganho.

Não vale a pena dissecar mais o cadáver. Os jogadores, se a minha alma não me engana, já não estão ali para ser um prolongamento do treinador. Treinar a dor… nós lá vamos conseguindo, para parafrasear esse génio da bola chamado Abel Xavier. Mas ficarmos ligados a esta máquina começa a ser penoso. 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Uma chatice pegada

Desta vez, parecia ser diferente. Na sequência de uma tabela entre o Bruno César e o Joel Campbell, o Bas Dost aparece a empurrar a bola para o um a zero. Uma dezena de minutos depois, mais um passe para as costas da defesa e o Bas Dost volta a empurrar a bola para o golo. Ainda não se tinha chegado a meio da primeira parte e o jogo parecia resolvido. Esperavam-se mais golos e elevada nota artística, se possível.

Até ao final da primeira parte, continuámos a jogar razoavelmente. Só que, entretanto, um jogador do Feirense enfiou uma biqueirada na cabeça do Adrien. Teve que entrar o Elias. É um filme que conhecemos de cor e salteado. O homem não ataca nem defende. Como o Ruiz não anda para trás, no meio-campo, ficou o William Carvalho contra o resto do mundo. A partir desse momento, a defesa entrou em modo de sobressalto permanente.

A segunda parte foi um suplício. Ficámos na dúvida. Não sabíamos se devíamos marcar mais um ou se devíamos gerir o resultado. Perdemos o controlo do jogo. Não conseguíamos pressionar a defesa e a saída da bola do Feirense e não defendíamos de forma compacta. O Feirense começou a trocar a bola no nosso meio-campo. Não fez nada de extraordinário, mas ainda fez o suficiente para nos marcar um golo (com metade da equipa do Sporting a ver jogar).

Até ao final do jogo, vivemos com o coração nas mãos. O Bryan Ruiz teimava em concluir as jogadas em grande estilo. Ou acabava a passar a bola ao guarda-redes, ou tentava um chapéu ou um qualquer centro envolvendo um toque na bola completamente improvável. A nossa defesa também não nos dava descanso. O Beto ainda ofereceu um golo ao adversário, mas acabou tudo em bem: num livre e numa biqueirada para as nuvens.

Queremos continuar a jogar com a equipa subida, mas não se pressiona suficientemente o adversário quando se perde a bola. Sem pressão e com o meio-campo em desvantagem, os adversários podem sair a jogar e têm umas dezenas de metros nas costas da defesa do Sporting para explorar. No ataque, continua-se a complicar. Complica-se porque há jogadores que só complicam e porque se continua a querer marcar golos de forma complicada, depois de um “tiki-taka” entediante. Assim, os jogos do Sporting estão a ficar aborrecidos, chatos mesmo. Não se trata somente de jogar bem ou de jogar mal. As coisas simplesmente não funcionam. Os jogadores já o perceberam e os adeptos também. Quando assim é, começa a faltar ânimo.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

O carteiro toca sempre duas vezes

O carteiro, às vezes, tarda, mas não falha. O melhor é começar pelo fim: aos 94m de jogo o carteiro vê uma brecha, olha para o auxiliar, e consegue finalmente entregar a missiva. Está entregue, deve ter pensado, amanhã certamente que toda a gente vai reconhecer que os carteiros e seus auxiliares são humanos. A nossa humanidade tem limites, senhores carteiros, e a nossa paciência nem sempre acompanha a prima humanidade.

Antes de o carteiro ter entregado a correspondência em conformidade com as suas ordens superiores já o Sporting nos tinha enganado relativamente à sua entrada em jogo. Uma primeira parte, da qual apenas vi parte, para esquecer, ou melhor, para lembrar, embora o filma seja o habitual. À habitual previsibilidade, esta equipa, junta, por vezes, uma morrinha que nos adormece por dá cá aquela palha. Fosse apenas isso e lá deixávamos de tomar o angelicalm, mas não, a isso ainda junta com elevada crueldade, uma tendência para se dispor no terreno como uma manta de retalhos. O Ruiz andou mesmo por ali? O Markovic, segundo o presidente não tarda a explodir, esperemos que o faça com a qualidade aqui demonstrada, mas noutro lado, se não se importam.  

A segunda parte foi a história da nossa vida este ano: correr atrás do prejuízo, metendo a carne toda no assador. De resto, o costume, o Elias enganou-se, o André jura que ainda há-de conseguir introduzir bolas dentro da baliza fora dos treinos, o Douglas demonstra uma tendência inata para javardar e comer uma boa feijoada. Restam os suspeitos do costume. E o carteiro até disse ao Coates que a razão da sua carta tinha sido ele. O Coates, coitado, não tarda, quer mas é regressar ao sossego do Uruguai… 

sábado, 31 de dezembro de 2016

A um “Danoninho” de qualquer coisa

Ontem, para a Taça Lucílio Batista, assistimos a mais um jogo do Gelson contra o resto do mundo. O Varzim foi o menor dos obstáculos. Os colegas de equipa e ele próprio são obstáculos maiores. Os colegas na dúvida, e bem nesta altura, passam-lhe a bola. Ele faz o que lhe pedem para fazer. Vai para a baliza da forma mais direta possível, torneando os pinos que lhe vão aparecendo pelo caminho.

O problema está sempre no último passe. Umas vezes, porque os avançados não aparecem com a rapidez e a acutilância necessárias (ficamos sempre na dúvida se com o Slimani aquelas bolas a atravessar a pequena área não acabariam lá dentro). Outras vezes, porque acaba tudo num centro um pouco para a molhada ou num passe um pouco mais para trás ou para a frente do que o desejado.

Estamos a um “Danoninho” de passar à fase seguinte. Também estivemos a um “Danoninho” de passar à Liga Europa e não conseguimos. Nesta altura, com o desenrolar da época, não nos podemos dar ao luxo de desperdiçar mais nenhuma competição, até mesmo a Taça Lucílio Batista. Esta falta de margem de manobra para errar acaba por pesar nas pernas do William Carvalho, do Adrien e do Gelson Martins e de mais um ou outro.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Prognósticos só no fim da época

Apesar da época do ano ser dada a balanços a época futebolística vai a meio e portanto é uma altura no mínimo arriscada para fazer uma avaliação. Ainda assim vou arriscar, mas sem prognósticos, só a olhar para o que se passou na "1a parte".

Começo por dizer que ser corrido da Champions não é vergonha nenhuma. 15 dos 16 clubes que se apuraram estavam no pote 1 ou no 2, portanto a menos que se adopte a passagem administrativa não vejo como tornar este 'sistema' mais eficaz para qualificar os favoritos. Nem sequer se apurar para a Liga Europa já envergonha qualquer coisa, seria muito não fosse o facto do Sporting até ter deixado uma imagem positiva na prova. No final do dia contavam mesmo era dois jogos, andámos distraídos com os outros quatro...

Pela Taça ainda andamos. Ainda não percebi se calhámos com o Chaves ou com o Capela. Os dois juntos são fortíssimos (eliminaram o Porto, limpinho) em separado tenho mais medo do Capela do que do Chaves. A ver vamos se estou a subestimar os Flavienses.

Quanto ao campeonato não sou dos que pensam que a culpa de não irmos em 1o é toda dos árbitros. Mas também não me parece justo dizer que a culpa é toda da equipa do Sporting. A verdade andará algures pelo meio.

Sobre a parte que não vemos, não há muito a dizer para além disto. Não fossem histórias como as que se leram em 2016 no "Football Leaks" virem mostrar que esta é uma indústria em que são todos bons rapazes, eu começava a achar que tanto erro para o mesmo lado era suspeito.

Quanto ao que podemos ver, parece claro que não tínhamos equipa para jogar em alto nível duas vezes por semana. Na hora de escolher optámos por uma prova onde apenas jogamos prestígio (e Euros). Não creio que tenha sobrado grande prestígio, os Euros havemos de ver. O que já não vemos de volta são os pontos perdidos em Vila do Conde, Guimarães, Choupana, em casa com Tondela, e na Luz. Esses já foram. Quanto a mim, a ideia era ir buscar jogadores com potencial para serem titulares, impor uma lógica de ter 'duas opções para cada posição'. Era essa estratégia para estar em várias frentes. O que se tem visto é que estes potenciais titulares ou estão em adaptação, ou estão desmotivados por jogarem pouco, ou jogam mesmo pouco. O resultado é que nem temos os tais titulares para as duas frentes, nem os suplentes que precisamos quando temos metade da equipa esgotada. Acho que fariam falta mais "Brunos César", contratações que podem não fazer sonhar mas que se revelam bastante úteis.

Aproveito para desejar a todos um excelente 2017!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Boas Festas

Por motivos profissionais inadiáveis não pude ver o jogo de ontem praticamente todo. Fiquei atento às notícias. As notícias hoje são SMS para o telemóvel. Como não recebia nenhuma boa nova comecei a imaginar umas festas à moda antiga. Saí a correr e ainda deu para ver cerca de 15 minutos finais, incluindo descontos. Parece que o árbitro não assinalou mais um pénalti. Não havia oftalmologista por perto. Num dos últimos goles de cerveja o Das Bost marcou. A malta invadiu o campo. Ganhamos. Afinal valeu a pena. Boas Festas!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Ou quase...

A previsibilidade do jogo do Sporting tornou-se uma das suas notas artísticas de referência. Elevar a previsibilidade a umas das belas-artes é interessante mas curto para quem ambiciona qualquer coisa. Não se trata apenas de uma hipotética baixa de rendimento, ou cansaço (nesta altura da época?) de alguns elementos, não, o jogo é pastoso, redundante, indeciso e, quando não há Gelson a soltar as amarras da imaginação, resta bombear o sangue todo para o Bost.

Foi assim ontem, mais ou menos. Na primeira parte o Braga aproveitou os desacertos dos laterais e das laterais, para objectivamente, e em contra ataques rápidos tentar chegar ao golo. O Sporting continuava como se nada fosse, deixando o tempo rolar, jogando no limite estapafúrdio do risco. Mas sem criar, praticamente, perigo junto à baliza adversária. O Abel que na noite anterior tinha lido dois manuais de treino básico e observado 2 ou 3 jogos do Sporting em casa, conseguia perfeitamente prever parte do filme, incluindo a entrada leonina fulgurante na… segunda parte. Nada de novo, portanto.

Na segunda parte, não estivéssemos nós em época natalícia de partilha, tornamos o quase e o quase-quase um símbolo digno da nossa camisola. Num quase de cariz semelhante o Braga enviou uma bola ao ferro e na sequência marcou. O quase já não chegava e de repente todos os jogadores do Braga ficaram doentes, lesionados, entrevadinhos. O árbitro teve o seu momento ao… quase assinalar um penalti e nós assim quase que empatávamos.

Já se percebeu que há jogadores quase de saída. Ou outros que quase que chegavam a jogar. Outros ainda que quase já perceberam o que fazer em campo. O Das Bost não marcou. O Slimani já não mora ali. O Ruiz parece que também não. Ao Elias fica-lhe bem o banco. O Adrien e o William não mereciam esta prenda. O Rui também não. O Coates começa a ficar paranóico com as distracções do Semedo. O João Pereira continua com cara de miúdo. Nós continuamos a acarditar. Ou quase. 

Já há substituto!


quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

De inconseguimento em inconseguimento até ao conseguimento final

Vi os últimos vinte e cinco minutos da primeira parte e os últimos vinte minutos da segunda do jogo contra o Setúbal para a Taça de Portugal. Depois de duas derrotas e de uma semana do pior, corríamos o risco de perder o resto da época.

Como diria a nossa ex-Presidente da Assembleia da República, estivemos sempre à beira do inconseguimento. Então o Adrien, no penalty, inconseguiu duas vezes seguidas. O Rui Patrício também ia assegurando o inconseguimento dos jogadores do Setúbal.

Foi de inconseguimento em inconseguimento até ao conseguimento final. Da única maneira que parece possível nesta altura. Lance rápido do Zeegelaar a correr até à linha e a centrar para a cabeçada do costume do Bas Dost. Será que aprendemos com este golo e com os outros que o Bas Dost vai marcando ou é preciso fazer um desenho? É que não se percebe tanto inconseguimento.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Num cinema perto de si

O ano passado no rescaldo da derrota com o Benfica em casa escrevi: Levamos muito a sério o falhar,falhar muito, falhar melhor. Se isto era verdade no ano anterior, neste, sem o Slimani e sem a imprevisibilidade do Teo, levámos a nossa máxima ao sopé (pelo menos) do Olimpo. 

Fosse apenas isso e ainda vá. Habituados estávamos. Mas outro pormenor se eleva perigosamente à categoria de máxima: sofrer, sofrer sempre, sofrer golos. Não bastava o sofrimento geral que nos engrandecia a alma sportinguista, eis que o sofrer se tonifica de novas nuances, personificando-se em sucessivos jogos a sofrer golos. De facto, quase todos os jogos contra equipas de algum nível (tenho algumas dificuldades em lá incluir o Tondela, perdão, o Benfica, mas vá la), coincidem na particularidade de encaixarmos golos na nossa baliza, muitas vezes de forma consentida, ou, se quiserem, distraída, pouco concentrada, inábil, infantil. Se calhar faltam aí os tais mais 10% por cento de foco que sobram, supostamente, de outras partidas.

Se a tudo isto juntarmos o trabalho sempre distraído, cegueta ou menos concentrado das equipas de arbitragem, e uma estratégia de mercado (salva-se o Bas Dost e ponto final) calamitosa, para não dizer inexistente, e temos argumento para um Armagedão com o Robert de Niro a fazer de Jesus e o Leonardo Di Caprio como o tristonho Bryan Ruiz. O saudoso Philip Seymour Hoffman seria o mais indicado para fazer de Bruno de Carvalho; como tal não é possível, as negociações continuam.

Não é necessário ser um cinéfilo atento para saber como acabam quase todas as películas de Hollywood: bem. Muito bem, mas apenas para os bons da fita. Resta saber agora quem são, afinal, os bons da fita desta história. E, já agora, quem são os figurantes. Não seremos nós?

domingo, 11 de dezembro de 2016

O jogo que se perdeu na pré-época

Não se marcou num lance e na resposta sofreu-se um golo. Não se marcou noutro lance e na resposta sofreu-se mais um golo. Pode-se falar de azar. Prefiro falar de pormenores. Nestes jogos, são os pormenores que ditam os vencedores. Os pormenores têm sempre que ver com a qualidade, ou falta ela, dos jogadores. Assim, este jogo talvez tenha sido perdido na pré-época. Foi nessa altura que não se acautelou a qualidade dos jogadores.

O jogo foi equilibrado na primeira parte. O Sporting teve boas oportunidades também. O golo do Benfica começa numa oportunidade do Sporting. Na sequência de uma jogada de andebol, o William Carvalho atrapalha-se com o Coates e permite o contra-ataque do Benfica. O passe do Rafa, a entrada do Sálvio e a falta de atenção do Zeegelaar fizeram o resto.

A segunda parte foi praticamente toda do Sporting.

 A entrada do Campbell mexeu com o jogo. Na primeira vez que tem a bola, vai à linha centrar atrasado para o Bas Dost rematar ao poste. Só que, na jogada seguinte, a bola andou por um lado e pelo outra da defesa do Sporting até acabar lá dentro depois de uma cueca ao Zeeglaar e de mais uma falta de atenção, agora do João Pereira.

O Sporting não desmoralizou. Lançou-se ainda mais no ataque. Os lances de golo sucediam-se, com o guarda-redes do Benfica a defendê-las todas. O Campbell fez mais uma arrancada e foi por ali fora até tirar um centro perfeito para o Bas Dost a encostar de cabeça para a baliza.

Até ao final, o Sporting continuou a tentar. Ficou a sensação que as forças não eram muitas. Sobretudo ficou a sensação que, com excepção do Campbell, o Sporting não dispunha de nenhuma alternativa no banco para refrescar a equipa. O Alan Ruiz foi uma verdadeira nulidade (ficámos literalmente a jogar com menos um). A última substituição a acabar o jogo, do Bas Dost pelo André, foi simplesmente para o Jorge Jesus tentar tirar um coelho da cartola.

O Sporting jogou bem. Dispõe de jogadores excepcionais. Dispõe de outros bons também. Em conjunto, não chegam para fazer uma equipa. É nestes jogos que estas insuficiências são mais evidentes. Os centrais e, especialmente, o William Carvalho e o Adrien controlaram o jogo e distribuíram-no com a propósito. O Gelson Martins esticou sempre o jogo e foi um permanente sobressalto. O Bas Dost esteve presente na área quando era necessário e quando foi bem servido (na primeira atirou ao poste e na segunda meteu-a). O Zeegelaar não serve. Não serve nem a defender nem a atacar. O Bryan Ruiz joga mal a segundo avançado. Complica sempre e não é agressivo. No lado esquerdo é melhor, mas não parece o mesmo da época passada. Com excepção do Campbell, tudo o resto é para deitar fora e quando mais depressa melhor.