domingo, 15 de outubro de 2017

De arromba

Não me interessa se é uma exigência das televisões. Ou se resulta da visão (ímpar) dos dirigentes (sempre dos clubes mais pequenos). Os campos são aquilo que são. Sempre foram. Ainda me lembro dos pelados. Dos batatais ainda reza por aí muita história. Na taça as equipas pequenas tinham a oportunidade de receber clubes de outra liga e dimensão. Tinham a oportunidade de os receber bem e de mostrar a sua terra. A festa era isso. E às vezes ganhavam. Não entendo as capas com alusões à festa da taça este fim-de-semana. O esquecido Lusitano de Évora mostrou a sua terra em Lisboa. Quantas pessoas estavam no estádio no jogo com o Porto? O que ganhou o clube com isso? E o Olhanense, na impossibilidade de receber o Benfica na Luz, lá teve que jogar no estádio do Algarve. Uma festa de arromba, sem dúvida.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

A festa da taça

No jogo com o Oleiros para a taça de Portugal, o Sporting joga em Oleiros, num sintético. Foi necessário uma grande empreitada de ultima hora para o jogo ser possível. O Sporting questionou as condições, mas acordou jogar em Oleiros. A comunicação social andou a bradar sobre o assunto, naturalmente.

No jogo com o Olhanense para a taça de Portugal, o Benfica não joga em Olhão. O jogo será no estádio do Algarve. Naturalmente. Ainda se pensou em realizar o jogo no estádio da luz, mas tal não foi possível. A comunicação social foi assobiando para o lado. Segundo o treinador do Olhanense, o relvado só não serve para o Benfica. E quando não serve, não serve mesmo. 

terça-feira, 10 de outubro de 2017

O tiki-taka do apuramento para o Mundial com recurso ao vídeo-árbitro (*)

20.18h 
RM: Os suíços estão a jogar melhor. Mais uns tansos que o Santos leva ao engano.
20.29h 
RM: Eu bem dizia. Aos trambolhões como deve ser. Foi cedo de mais. O Danilo vai ter de começar a aquecer.
20.34h 
RM: Com o Danilo e o Adrien na segunda parte o jogo estava no papo. Só com o Danilo pode ser curto O Battaglia está inscrito na FIFA. Vamos ver se entra também.
20.45h
JP: Vinha no carro a pensar: na lógica divina do Santos quem é que fará o papel do Éder neste jogo decisivo? O único que me ocorreu foi o Eliseu. Não pensei num golo às três pancadas. Devia ter desconfiado que a recuperação da lesão do centralão da Suíça – um rematado nabo que jogava no Arsenal – tinha o dedo do Santos.
20.46h 
RM: Vamos ter de jogar com o Danilo a seis. O William Carvalho passa a jogar a seis também. O Moutinho fica entre os dois, a seis igualmente. Mais tarde, o Cristiano Ronaldo passa a jogar a oito para sair com a bola e a levar ao Cristiano Ronaldo.
20.59h
RM: Surpreendemos completamente os suíços. Marcámos um golo a jogar à bola com o Moutinho à mistura e tudo. É um escândalo.
21.05h
JP: O João Mário está a levar a equipa demasiado para a frente. Para o que sabe, o Moutinho arriscou demasiado no lance do golo. Em breve, teremos o André Gomes ou o Renato Sanches a espalhar magia no nosso meio-campo.
21.12h
RM: O amarelo estúpido do Eliseu a acabar a primeira parte pode revelar-se decisivo. A saída de campo foi de uma enorme dignidade, simulando uma lesão conveniente.
 21.16h
JP: Protestos de um suíço. “Porra! Uma coisa é ganharem-nos, outra bem diferentes é ganharem-nos com o André Gomes”.
21.19h 
RM: Enquanto estiver a jogar o Seferovic, não deve entrar o Danilo. Em equipa que ganha não se mexe. O problema é se, estando na Luz, não entra o Mitroglou. Ainda acabamos em sofrimento.
21.33h 
RM: Entra o Danilo e sai o Seferovic para a ovação da noite. Jogo esforçado e de sacrifício em prol da selecção.
21.41h
RM: Acabou tudo em bem. A família do Cristiano Ronaldo gostou do passeio a Lisboa e o William Carvalho está em condições de jogar contra o Oleiros.
21.44 
JP: Uma coisa é acabar com olés ao adversário, outra é acabar com o André Gomes em campo. Os suíços não mereciam esta falta de “fair play”.

(*) Conversa no "WahtsApp" entre Rui Monteiro (RM) e Júlio Pereira (JP) enquanto decorria o jogo Portugal-Suíça de apuramento para o Mundial na Rússia.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

O foco

A atender em alguns programas desportivos(?) que ontem visitei  de forma fugaz, o foco das atenções, não é, pasme-se, a selecção nacional, mas sim o Sporting. Não nos admiramos nada com o incómodo causado por estarmos vivos. E bem vivos. Mas há quem não consiga disfarçar de forma alguma. Recuemos então à semana que antecedeu esta paragem para as selecções.

Será interessante analisarmos essa semana de três jogos sob a perspectiva (hoje muito utilizada) do foco. O foco, como motor oculto da excelência, para nos socorrermos do Goleman, não é nada fácil de explicar e muito menos de potenciar. Mas parece. O foco é jogo a jogo, dizem-nos. Nesse caso o foco do Sporting seria o Moreirense, o Barcelona e depois o Porto. Alguns seres humanos julgaram ser possível esta sequência focal. Digamos assim.

Lamentamos desanimá-los, mas o foco deveria ser o campeonato. Ganhar o título nacional. Nesse sentido, ganhar em Moreira de Cónegos revestia-se de importância capital. O Sporting partiria para o jogo com o Barcelona como primeiro do campeonato e assim chegaria ao jogo com o Porto. Duas ou três batatas não fariam mossa. Afinal era o Barcelona em pleno PREC Catalão, como estupidamente li algures. Com o Moreirense empatámos por falta de comparência, e não sou eu quem o digo. Muitas almas presentes no jogo confirmaram-me isso mesmo sem quaisquer rodeios: pagaram bilhete e o Sporting só apareceu a meio da segunda parte para comer bolo. Qual era o foco então? Nem sequer o jogo a jogo. É isso que jogo a jogo quer dizer: nada. Às vezes a cabeça voa e já está noutro lado.

Com o Barça ganhámos…moral. Destas vitórias anda o inferno cheio. A liga dos calmeirões é uma competição digna de um conto de fadas, mas cheia de sapos que dificilmente serão príncipes. Quem escreve o guião não está para aí virado, basta ver os nossos jogos contra equipas alemãs noutros anos. Contra o Barça perdemos o jogo e voltamos à confraria do quase. Perdemos, igualmente, o Doumbia e meio joelho do Coentrão. O resto da equipa ficou feita numa compota de músculos a despedir-se dos adeptos.

Foi essa compota de músculos que entrou em campo no jogo seguinte. O jogo seguinte é sempre o foco, não é? O Porto focou-se mais na nossa baliza e não respeitou o nosso grande esforço contra o Barcelona. Ficamos a saber que um joelho do Coentrão vale mais que o Silva completo. Ficamos a saber que grande parte dos jogadores que não jogam, estão lá para não jogar. Ficamos a saber que vamos ter que ir ao mercado (diz-nos JJ) pele centésima décima quarta vez. Ao contrário de outros anos, tivemos sorte e ficamos vivos. A compota de músculos agradeceu aos adeptos. Os focos desligaram-se ao saberem que numa semana não ganhámos nenhum dos jogos, a não ser um: moralmente. 

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Luís Filipe Vieira compra um resultado e dá-o a Rui Vitória

Na última Assembleia Geral do Benfica, o seu presidente, Luís Filipe Vieira, num vernáculo que teria feito corar o Capitão Haddock, afirmou que nunca tinha comprado um resultado. Mesmo não comprando, não deixou de assumir, pelo menos de forma implícita, que tal coisa se vende. Ele lá saberá. Eu não faço a mínima ideia: não sabia sequer que tal coisa se vendia.

O facto de não saber, não me impede de imaginar a forma como tal coisa pode ser transacionada. Vamos admitir que o Luís Filipe Vieira queria comprar o resultado do Basileia. Imagino que para o comprar se desloque ao talho do Continente ou do Pingo Doce do costume.

“Tirando a senha, esperou pacientemente a sua vez, enquanto a esposa ia comprando os legumes e os restos das necessidades da semana. Chegada a sua vez, pediu:

- Queria um bom resultado com o Basileia, do lombo de preferência.
- Ó senhor Vieira, já vendemos quase tudo. Só temos um cinco a zero. É duro. Aconselho-o a não levar. Se levar, só serve para guisar.
- Tenho de levar um resultado seja ele qual for. Se fosse com a Liga ou com a FPF ainda vá, com a UEFA tenho de levar alguma coisa mesmo que não goste.
 - Vou-lhe aviar o cinco a zero que temos, mas depois não se queixe. Uma vez o senhor Vale e Azevedo veio cá comprar um resultado com o Celta de Vigo. Só tínhamos um sete a zero. Disse-lhe para não levar. Insistiu e depois ficou a remoer naquilo uma eternidade. Por essas e outras nunca mais foi o mesmo. Não quero que fique assim também depois de uma indigestão.

Cabisbaixo, foi ter com a esposa para colocar o cinco a zero no carrinho das compras. Informou-a que só havia um cinco a zero e que era melhor guisá-lo. A esposa, que tinha pensado servir o resultado no almoço de domingo com a família, ficou furiosa como só as mulheres conseguem ficar furiosas quando os maridos não compram o que lhes mandam. Explodiu, dizendo:

- Ó Luís, um cinco a zero nem os cães o querem!
- Deixa lá, dá-o à mulher do Rui Vitória. Pode ser que ela o queira. Se não quiser, o Rui dá-o ao Varela ou ao Júlio César que, educados como são, não o hão-de recusar.

E assim os dois, marido e mulher, empurrando o carrinho das compras, dirigiram-se para a caixa mais próxima, enquanto o Luís Filipe Vieira tentava tirar um banco do bolso para pagar as compras da semana”.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

O cansaço

As equipas do Jorge Jesus são sempre espremidas até ao tutano. Não é só assim no Sporting. Foi assim no Benfica. O lote de fieis é sempre reduzido, aparentemente pelo facto de ser muito difícil a todos os jogadores do plantel interpretarem o modelo de jogo preconizado pelo treinador. Esta é a justificação que nos vai sendo apresentada e tem alguma lógica.

Quem tem responsabilidades de liderar um grupo de trabalho ou uma organização, sabe que tem de contar com todos (os treinadores – uns mais do que outros - ainda têm a possibilidade de andarem sempre a dispensar jogadores e a contratar outros). A falta de motivação de uns contamina os outros. Uma organização ou um grupo de trabalho é muito mais do que a soma das partes, isto é, tem de gerar processos produtivos com rendimentos crescentes à escala. Recorrendo ainda mais ao economês, chama-se a isto a divisão social do trabalho, na linguagem mais da escola marxista, ou as economias de escala dinâmicas, na linguagem mais dos neoclássicos.

Não consigo compreender como é que os treinos podem ser intensos e intensamente trabalhados se uma parte dos jogadores sabe que pouco conta. Como é que os jogadores dessa parte podem entrar em campo, quando faltam os outros, sabendo que o treinador não confia neles, por mais que lhes diga o contrário antes de jogarem?

Não percebo nada de futebol como profissional, sou um simples adepto, mas pratico e ensino coisas destas há umas décadas. A experiência também me ensinou que as pessoas são todas diferentes, têm as suas idiossincrasias, sejam jogadores de futebol ou secretárias de uma repartição pública. É preciso saber falar com cada uma delas. Com umas conversa-se de uma maneira com outras de outra. No final, o discurso tem de ser coerente e justo para com todos. Não há nada que mine mais uma organização que a perceção dos que lá trabalham da injustiça (e a injustiça que mina mais não é absoluta é a relativa, a que tem por referência os outros).

A profundidade do plantel e o cansaço de alguns, físico e psicológico (que é o mesmo porque não existe corpo sem espírito e vice-versa), numa equipa como a do Sporting, não resulta tanto da qualidade individual dos seus jogadores mas, sim, da falta de concorrência saudável para uns e da sensação de exclusão do grupo para outros.

Não sabemos o que se passa nos treinos do Sporting e na relação do dia-a-dia entre o treinador e os jogadores. Só conhecemos, pelo menos eu, o que é visível durante os jogos. O Jorge Jesus não tem autodomínio. Grita com os jogadores e humilha-os, fazendo-o mais com os que têm menos estatuto e são mais jovens (não me parece que os temos da relação que estabeleceu com o Coates ou com o Mathieu, por exemplo, sejam os mesmos da que mantém com o Gelson Martins, o Iuri Medeiros ou o Palhinha). Há jogadores que reagem a isso de uma maneira e outros de outra. A reação não pode ser boa para todos, porque cada um é uma pessoa diferente.

O que acabei de escrever é especulativo e resulta do simples facto de neste momento, antes de me deitar, não ter nada de mais interessante para fazer. Mas se o diagnóstico tiver alguma ponta de verdade, então o Jorge Jesus tem de mudar alguma coisa. Não tem mal nenhum. Aprendemos todos os dias e mudamo-nos em resultado dessa aprendizagem. Os jogadores têm de perceber de que forma devem jogar para o treinador se sentir mais confortável com o modelo de jogo que quer adotar. O treinador tem de adaptar o seu modelo de jogo para que os jogadores se sintam mais confortáveis a pô-lo em prática. Se nessa frente tudo correr bem, as vitórias farão o resto (embora as vitórias dependam de imponderáveis que nem os jogadores nem os treinadores controlam).

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Perdemos o Barreiro mas salvámos Almada por uma unha negra

“Never was so much owed by so many to so few. We shall never surrender”. Deve ter começado assim o discurso de Jorge Jesus ao intervalo. Tínhamo-nos salvado graças à pronta intervenção de Rui Patrício e Mathieu que, nos seus Spitfires, aguentaram os Messerschmitts do Marega e do Aboubakar, depois da nossa Linha Maginot, do Battaglia e do William Carvalho, ter sido destroçada, tendo-se assistido à debandada dos restantes jogadores rumo a Dunkerque. Reuniu-se o que restou das tropas e procurou-se resistir na segunda parte, esperando que os frios das estepes parassem os adversários, apesar dos nossos já estarem a sofrer de escorbuto.

Com efeito, na primeira parte, fomos simplesmente arrasados. Os do Porto tinham muito mais intensidade no jogo, pressionando sempre em todo o campo e ganhando todas as bolas que havia para ganhar. Quando a ganhavam, desatavam à desfilada para a nossa área e nem se davam ao trabalho de fintar os nossos jogadores, limitando-se a atropelá-los. O Brahimi fazia sempre a mesma jogada e a malta caia sempre, fletindo da esquerda para o meio e ganhando superioridade no meio e no lado direito. Enquanto isso, o Marega ia tropeçando na bola e no Jonathan Silva com enorme convicção até deixar o Mathieu com os seus poucos cabelos em pé. Mesmo eriçado, ele, o Rui Patrício e a barra foram os nossos melhores jogadores.

Só equilibrámos o jogo na segunda parte, quando começaram a faltar as forças aos do Porto e o Jorge Jesus acordou de um sono profundo e colocou o Acuña, um esquerdino, a fechar o lado de dentro do Piccini, impedindo que as jogadas do Brahimi se repetissem. O Gelson Martins do outro lado começou a desesperar o Layún e o Marega teve que recuar para ajudar, avançando o Jonathan Silva. O jogo passou a ficar equilibrado e alguns jogadores do Porto, passada a fase da alucinação, em que estavam a jogar acima das suas possibilidades, voltaram a ser o que nunca deixaram de ser, oferecendo-nos o Danilo dois golos que desperdiçámos. Para não lhes ficarmos atrás, oferecemos-lhes um golo também, mas o Marega não tropeçou da melhor maneira na bola e o Rui Patrício defendeu.

Quando pensávamos que finalmente íamos para cima deles, não fomos. As forças não davam para mais e os suplentes não davam garantias. O Bruno César não entrou mal mas, nesta fase da vida, não atrasa nem adianta. O medo de nos desequilibrarmos numa transição era tanto, que o Podence só entrou nos descontos.

Assim se continua a escrever o planeamento desta época. As contratações foram melhores que as da época passada, mas o plantel continua a não ter profundidade. Jogam os mesmos até morrerem. O Jorge Jesus não gera alternativas e, pelo contrário, até as vai queimando (em contrapartida, o Sérgio Conceição até os mortos vai ressuscitando). Ninguém percebe por que razão não jogaram na Taça da Liga os juniores ou os da Equipa B. Não se percebe muito bem como é que nesses jogos, que não interessam a ninguém, o Gelson Dala não tem lugar. Só se for para evitar, à treinador português, que o rapaz faça uma grande exibição e passe a ser concorrente de um outro que é o preferido. O Iuri Medeiros pode ser um jogador pouco intenso e com lacunas defensivas, mas ninguém tem dúvidas sobre a sua qualidade técnica. O nível de massacre nos treinos deve ser de tal ordem que quando entra em campo até parece que aprendeu a jogar futebol no dia anterior. Entretanto, vamo-nos entretendo a brincar aos crescidos na Liga dos Campeões, sem proveito nenhum e a perder pontos para o campeonato.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Notas soltas



(Uma nota prévia. Não gostei nada de perder. Nunca gosto. O árbitro foi uma nódoa em relação aos critérios disciplinares. Sei também que não jogamos fora contra um campeão nacional de uma potência alpina pois aí seríamos esmagados, apanhávamos pelo menos cinco. Também não sou músico. Dito isto, passemos à música.)

A nível orquestral estivemos bem em muito aspetos. A Família das Percussões marcou bem o ritmo. Os instrumentos de percussão pontuaram e destacaram bem os trechos da peça em execução e fizeram a orquestra vibrar. O piano (sim, é um instrumento de precursão!) entregue como sempre ao brilhante Rui Patrício, esteve excelente. Não falhou uma nota. Não se lhe pedia rapidez de processos mas sim concentração e discernimento e foi o que ele deu. Já o par de pratos esteve desequilibrado. Jérémy Mathieu, teve uma das melhores exibições da noite, esteve sempre afinado e corajoso a equilibrar a sua secção. Arriscou a espaços uns solos e, em determinadas alturas, calou até solistas adversários de classe mundial. Já Sebastián Coates, falhou muitas vezes os tempos e marcações e deu uma fortíssima fífia numa nota falsa que marcou fortemente o desempenho da orquestra. Os tímpanos, Fábio Coentrão e Cristiano Piccini, estiveram atentos e acertados e, por vezes, audazes, pelo menos enquanto tiveram forças e lhes chegou oxigénio ao cérebro, a um mais do que a outro.

A Família das Madeiras, aqueles que normalmente dão “cor” ao som da orquestra, esteve reduzida aos clarinetes de Marcos Acuña e Gelson Martins. Não estiveram particularmente brilhantes no capítulo de atacar os momentos altos da peça. No entanto, quanto a manter a unidade musical da orquestra e a sua coesão, estiveram muito bem e foi incontestável a sua entrega ao sucesso coletivo da orquestra. Nestes casos é difícil julgar a interpretação dos instrumentistas sem conhecer as instruções precisas do maestro.

Na Família dos Metais, o maestro abdicou para esta interpretação da tuba de Alan Ruiz, o que se percebe dada a ligeireza e rapidez de interpretação que se pedia para esta peça. Assim, esta secção foi assegurada pelo trompete de Bruno Fernandes que teve uma interpretação com altos e baixos. Esteve bem na intensidade e nos ocasionais solos e muito menos lúcido na distribuição e nas entradas. De qualquer modo, compreende-se pois ainda não é um intérprete maduro e não contemporiza devidamente os silêncios. Nesta secção esteve ainda o potente trombone de Rodrigo Battaglia e a magistral trompa de William Carvalho. Ambos foram responsáveis pela avalanche sonora da orquestra, conferindo-lhe a dramaticidade e a grandiosidade que a obra pedia. Deram agilidade sonora ao mesmo tempo que soaram de maneira ponderada e majestosa, nem se dando assim pela falta da tuba. 

Não sendo de todo habitual em relação aos cânones clássicos, mas normal no que a este tipo de peças diz respeito, o maestro abdicou da Família das Cordas tendo apenas alinhado com um spalla, o primeiro violino. Para muitos, este é o principal grupo de instrumentos de uma orquestra e dentro destes o violino, graças à sua versatilidade e alcance, que se torna assim a principal voz da família. Tendo abdicado das violas, violoncelos, contrabaixos e harpa, o maestro entregou esta dura tarefa a dois violinistas. Primeiro, Seydou Doumbia que, assertivo e empenhado, tentou em rapidez levar a orquestra a outros níveis. Não foi bem sucedido e o jurado romeno Ovidiu Hategan acabou mesmo por não ajuizar bem a sua interpretação solista. Foi substituído no segundo andamento por Bas Dost. Um intérprete com outro peso, com mais escola, mais clássico e disciplinado na sua interpretação. Mesmo assim, não tendo deslustrado, também não atingiu a musicalidade pretendida. Acabou por oferecer a melhor oportunidade de solo que teve ao trompetista Fernandes e este não a aproveitou da melhor forma. Dizem que este parece mais talhado para raros momentos Maestosos do que para os comuns Vivace.

Quanto ao maestro, Jorge Jesus, deve ser realçado que desta vez não deu largas à sua liberdade criativa, própria de quem vem de áreas mais populares como o fado operário ou malandro, não se tendo entregado a improvisações interpretativas. Preocupou-se desta vez, e bem, com a coesão da orquestra, deixando em aberto a possibilidade de um ou outro solista brilharem, o que, infelizmente, não veio a acontecer.

Em suma, foi um bom concerto, animado e colorido, excelente público e com bons intérpretes mas, infelizmente, a música continuou a mesma!

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Aviso aos sportinguistas: não discutam futebol com quem prefere o Messi ao Ronaldo!

Tinha agendado para hoje um jantar com um portista ferrenho. Educadamente, perguntou-me se não estaria interessado em adiar o referido jantar, dado que o Sporting jogaria hoje com o Barcelona. Respondi-lhe que esse jogo não me interessava e que a minha resposta seria completamente diferente se se tratasse de outra qualquer partida para o campeonato nacional: entre um Moreirense e um Barcelona, não tenho dúvidas para que lado cai a minha atenção.

Uma resposta destas pode sempre gerar mal-entendidos. Mesmo sendo difícil, é necessário explicar bem esta aparente falta de lógica. Expliquei que entre duas competições que antes de se iniciarem têm um leque reduzido de possíveis campeões, prefiro aquela em que o Sporting tem algumas possibilidades de vencer apesar de todas as vicissitudes. Para jogar por jogar, ou pelo prestígio ou pela camisola, como se costuma dizer, temos a Taça Lucílio Baptista.

O jantar manteve-se, mas uma dúvida assaltou-me. Porventura o adiamento poderia ser menos do meu interesse e mais do interesse de quem quer ver jogar o Messi. Por mais educados que sejam, não se pode confiar nos portistas. Quando se confrontarem com qualquer um deles, devem sempre perguntar-lhe se prefere o Messi ou o Ronaldo. Se preferir o Messi e começar com grandes explicações, concluindo que o Ronaldo também é um grande jogador, tirem da cabeça qualquer ideia de discutir futebol. Não vale a pena fazer o teste com benfiquistas. Com eles ninguém tem dúvidas.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Ausências

Falhar cada vez melhor seria um bom lema noutras épocas. O nosso sentido de humor acompanha sem dificuldades qualquer resultado menos conseguido (como agora se diz), mas o nosso coração e a nossa paciência têm vida própria. Não vou discutir se a cabecinha dos jogadores (e equipa técnica?) já estavam com o Barcelona. Parece-me até um contra-senso relativamente a épocas anteriores. O que eu sei é que se na cabeça houvesse alguma estratégia para o campeonato, o jogo com o Moreirense (antes de receber o Porto) revelava-se de grande importância. Avisei de tarde que íamos falhar quando uns amigos se deslocaram ao estádio. Eu não podia ir e estava a picar, claro. O que eu não sabia é que a nossa equipa só ia entrar em campo apenas na 2ª parte e ainda assim a espaços.

Não se tratou apenas da ausência de Acuna, do jogo menos conseguido do Fernandes, mesmo jogando numa outra posição, da ausência do Ruiz do jogo (qual a novidade?), mas da inércia (e sobranceria?) da equipa em geral, deixando verdadeiras avenidas à surpreendida equipa contrária. Até o filosofo Machado acreditou que a décalage entre ambas afinal seria menor. Questiono-me sempre sobre as ausências quando estas funcionam em grupo. Por isso não percebi JJ quando este se referiu a um ou dois jogadores. Não percebeu que ganhamos um ponto. E ainda não percebeu que é líder de uma equipa. Voltamos a olhar para cima. Venha lá o Barcelona. 

sábado, 23 de setembro de 2017

Sonsice

Li o artigo do Presidente da FPF no Público de hoje (ontem). A rapaziada do futebol nunca nos surpreende. Começa com a gabarolice de ter sido nomeado para uns cargos quaisquer na UEFA e na FIFA que ninguém quer saber. A partir daí e cheio de si começa uma reflexão profunda sobre o papel do futebol na Europa e no Mundo. Conclui essa parte da reflexão com um verdadeiro achado: “o ecossistema económico do futebol mundial está a mudar muito depressa”.

Imbuído da autoridade que os tais cargos internacionais lhe dão e embalado pela sua prosápia sobre o “ecossistema”, desata a defender a paz no futebol, qual Guterres de chuteiras. Fala de ódio, cobardia, violência, insultos, ameaças, insinuações. Conclui com a mais recente descoberta do caminho marítimo para a Índia: “existem sinais de alarme no futebol português”.

Dedica a parte final do artigo a falar de corrupção. Sempre há corrupção no futebol português. Não é novidade para ninguém. O que é novidade é o Presidente da FPF ter falado nisso como se tivesse nascido hoje. Apelou ao Estado, ao Governo e à Assembleia da República para acabarem com este estado de coisas (devia ter apelado ao Trump, por que para acabar com alguma coisa, seja qual for a coisa, não há melhor). Conclui afirmando que a FPF “está a fazer a sua parte” e que “ninguém pode ficar de fora desta responsabilidade” (o parágrafo é razoavelmente incompreensível mas parece que a responsabilidade está na procura de “soluções construtivas e pacificadoras”, na linha de uma Madre Teresa de Calcultá ou de um Mahatma Gandhi).

A primeira parte é possidonismo em estado puro. Na segunda parte, fiquei a saber que o ódio, a cobardia, a violência, os insultos, as ameaças e as insinuações começaram no sábado passado comigo e com um amigo meu a ver o Sporting – Tondela enquanto emborcávamos uma garrafa de Guarda Rios que comprámos em promoção no Continente. O senhor qualquer coisa da UEFA e da FIFA só descobriu tudo isso hoje e não tem nenhuma responsabilidade. Por fim, fiquei descansado por a FPF “estar a fazer a sua parte”. Não me parece que deva explicar aos pacóvios tugas da bola de que “parte” se trata. Será uma “parte” que só pessoas que têm cargos internacionais e falam de “ecossistemas” entendem.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Umbiguismo


(Desculpa Gabriel, não aguentei calado!)

Sistema integrado de redes (não confundir com baliza)

Em vez do vídeo árbitro, clama-se por um SIRESP que vá de encontro aos anseios do nosso rival benfica. Enquanto o sistema de comunicações não funcionar na plenitude da sua sapiência, informa-se que todas as derrotas ou empates do clube da luz, deverão ser devidamente embalsamadas em resultados (supostamente) positivos da sua SAD. Qualquer voz encartilhada, fora do baralho, deverá rapidamente voltar à base para receber instruções em conformidade. Para qualquer assunto contactar a sede. As polémicas sobre o sistema de comunicações serão rebatidas em sede própria. Entretanto, o Carrilho já está a fazer furor em Inglaterra. Deseja-se o mesmo para o sr. Ruiz. Isso e uma alimentação equilibrada. Cuidado com a fruta. Já voltamos.  

Miopia

Estendeu os braços carinhosamente e avançou, de mãos abertas e cheias de ternura.
- És tu Bruno Fernandes, meu amor?
Não era. Era o Alan Ruiz.
Isso não os impediu de terem muitos meninos e não serem felizes.
É o que faz a miopia.

(Adaptado do “Noivado”, da obra “Contos do Gin-Tonic” de Mário-Henrique Leiria)

domingo, 17 de setembro de 2017

Proteger os árbitros

Pensei que as tentativas de ressurreição tinham acabado depois do jogo contra o Feirense. Estava enganado. Continuamos a esperar que se escreva direito por linhas tortas. Enquanto esperamos continuamos a jogar com dez e a ganhar. Só Jesus era capaz de assumir um desafio destes. Ganhar o campeonato parece pouco. Ganhar o campeonato a jogar com dez é que constitui um desafio à sua altura.

A jogar com dez temos mais dificuldades de criar oportunidades de golo, como se viu ontem no jogo contra o Tondela. Mas sem se criar qualquer oportunidade de golo marcámos dois de bola parada: um com balanço, pelo Mathieu, e o outro sem balanço, pelo Bruno Fernandes. Finalmente com onze jogadores em campo passámos a criar oportunidades, confirmando a minha teoria que se se pode jogar com onze não se deve jogar com dez.

Foi um privilégio voltar a ver a velha escola do Porto, imortalizada por diversas façanhas de duplas como Jorge Costa e Fernando Couto. O Ricardo Costa ameaçou e bateu em tudo o que se mexia. Esperando ressurreição, o Alan Ruiz escapou. De outros mais buliçosos, como o Bas Dost, o Bruno Fernandes ou o Iuri Medeiros, não se pode dizer o mesmo. Do árbitro, nem um amarelo para amostra. Compreendo e respeito esta opção. Ninguém se sente confortável a fugir do Ricardo Costa pelo campo fora. Para mártir, chegou o José Pratas. Como costuma dizer a APAF, é preciso proteger os árbitros. Por mim, não quero que por atitudes impensadas, como mostrar cartões, fiquem desprotegidos.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Banco bom e banco mau

Ontem, só vi a segunda parte do jogo contra o Olympiacos. Fiquei com o malparado todo. Quem só viu a primeira parte, teve direito a uma garantia do Fundo de Resolução (para quem se preocupe com estas coisas fica mais tranquilo ao saber que o Fundo de Resolução foi criado pelo Decreto-Lei n.º 31-A/2012, de 10 de fevereiro, que veio introduzir um regime de resolução no Regime Geral das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras, aprovado pelo Decreto-Lei nº 298/92, de 31 de dezembro). Quem viu o jogo todo, pode ser considerado um lesado, isto é, começou por acreditar no que viu e depois foi enganado.

Mal comecei a ver o jogo, apanhei logo uma desmarcação tresloucada do Coates pelo lado direito, seguida de umas tabelinhas com o Gelson Martins. Não via nada daquilo desde que o Schelotto se foi embora. Tudo acabou em bem, como acaba sempre com o Coates, com ele a arrear em dois adversários e a parar qualquer possibilidade de contra-ataque. Percebi de imediato que estávamos a um passo do abismo. Conheço o Sporting há meio século e sei bem como é que a malta se deslumbra nestas circunstâncias. Esse deslumbramento não escolhe nacionalidades. Pode atacar um uruguaio ensimesmado ou um brasileiro acabado de chegar da escola de samba da Tijuca.

Fiquei mais descansado quando o Piccini atrasou à queima a bola a meia altura para o pé direito do Rui Patrício e nada aconteceu. O Piccini é o jogar mais regular do Sporting. É sobretudo um jogador de hábitos. Uma vez por jogo é atacado de paralisia cerebral súbita que, quase sempre, dá em golo. Desta vez não deu. O Rui Patrício é mais irregular. Não sabemos ao certo quando é que vai ser atacado dessa doença. Ontem, essa doença acertou-lhe que nem um raio e ele desmarcou o avançado do Olympiacos e nada aconteceu também. Se estava descansado depois da jogada do Piccini mais descansado fiquei depois dessa: o Olympiacos estava no papo. Mesmo quando enfardámos duas batatas e o comentador da televisão ficou histérico, mantive-me impassível e continuei a comer os choquinhos de coentrada que me tinham posto à frente.

O que se passou na segunda parte acontece com demasiada frequência para o considerarmos um mero acaso. O Jorge Jesus sempre teve dificuldade em controlar os jogos com ou sem bola quando está a ganhar. No Benfica era assim também, mas a arbitragem assegurava sempre tantas faltas e faltinhas quantas as necessárias para o jogo não andar. No Sporting tem que puxar pela cabeça e arranjar uma maneira, porque da arbitragem não só não se espera nada disso como se espera exatamente o contrário. É que os jogadores não parecem confortáveis nestas circunstâncias. Não sabem se hão-de atacar ou defender. Se engonham ou se continuam a jogar à bola. O resto está dito e muito bem dito aqui.

(O Jorge Jesus é um grande treinador. Ninguém tem dúvidas que é o melhor em Portugal a quilómetros de distância de qualquer outro. Os benfiquistas também sabem disso e é por isso que não param de falar dele, mesmo quando aparentemente pretendem falar mal. Não há necessidade nenhuma de se autoelogiar. É mais forte do que ele. O que é que se pode fazer?)

Problemas de comunicação

Ao contrário do que é hábito acompanhei a estreia do Sporting na Champions de forma 'diferente': num sítio com várias TVs onde haviam dois jogos a competir pela atenção de quem por ali andava.

Durante a primeira parte não consegui tirar os olhos do jogo do Sporting, embalado pela perplexidade gerada por termos conseguido marcar um golo não só num lance de bola parada, mas num daqueles que o Freitas Lobo diriam ser "de laboratório". Depois de anos a fio em que mal se viam golos de canto ou livre, ainda não acreditava no feito quando Gelson elevou vantagem para 2-0; e ainda menos acreditava na mão cheia de golos falhados. Quando chegou o 3-0 já não acreditava em nada - deviam ser problemas com a transmissão.

Na 2a parte as coisas mudaram muito. Deu ideia que os treinadores ao intervalo terão dito aos jogadores qualquer coisa como: estamos aqui pelo dinheiro; o dinheiro está entregue e não depende do número de golos, portanto meus amigos lembrem-se que há pontos a ganhar no fim-de-semana. Assim, tudo corria bem para os dois lados - a coisa estava tão lenta que cheguei a pensar que seria jogo para o Alan Ruiz  - até entrar aquele Pardo que ou não ouviu a palestra ao intervalo, ou ainda não se entende bem com o Grego. Nessa altura eu já acabava por ter os olhos mais no outro jogo, que tinha o resultado em aberto, pelo que não me apercebi de como aconteceu exatamente o 'susto' que hoje falam por todo o lado. Sinceramente, duvido que depois do que vimos esta época com Feirense, Estoril ou Setúbal se possa dizer que ontem algum Sportinguista se assustou. Mais uma vez deve haver aqui um problema de comunicação e já nos bastava o do Pardo. A única coisa que me assusta é o Tondela. Pode parecer exagero, mas sabemos bem o que nos custaram as brincadeiras na Champions o ano passado...

sábado, 9 de setembro de 2017

Os milagres e a minha bomba da asma

A minha bomba da asma não faz milagres. Na verdade é um dois em um: ventila através do fumarato de formoterol di-hidratado que é um broncodilatador, e previne a inflamação dos pulmões através de um corticosteróide chamado  budesonida. Não faz milagres, mas tomada regularmente ajuda-nos a respirar com normalidade e sem sintomas. Muno-me sempre da bomba quando está um jogo do Sporting por perto. Foi o que aconteceu ontem. Já se sabe, o Sporting é meio caminho andado para um pacemaker. Não convém esquecer.

A primeira parte do jogo mostrou-nos que a genica dos imponderáveis se dá bem com o planeamento de uma época, principalmente se o principal actor da mesma for o nosso Sporting. O jogo estava controlado, com o Feirense a fazer uma fantástica exibição, segundo o Sr. Freitas Lobo. Com a saída do Piscinas, não tendo nenhum defesa direito no banco (por onde anda o Ristovski?), tivemos que fazer aquilo que fazemos melhor: inventar. O Sr. Freitas Lobos tocou a rebate. Ainda estava a tocar a rebate quando a primeira parte acabou. O Ruiz bate pouco nos adversários, mas é um picanhinha em potência ao nível dos lípidos.

Foi com naturalidade que chegamos depois à vantagem. O Ruiz continuava à procura de um churrasco no relvado. E foi ainda com mais naturalidade que nos deixamos empatar. O Sporting tem destas coisas. A bomba estava por perto. Um pacemaker também não é difícil de arranjar. A malta, mesmo não religiosa, acredita sempre. E vale a pena acreditar quando a equipa de arbitragem ainda não precisa de ir ao oftalmologista. Nem todos os jogos tiveram esse privilégio. É marcar uma consulta...

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Acabaram-se os milagres

Jesus ressuscitou Lázaro, de acordo com os evangelhos. Há quem interprete esse milagre como uma alegoria. Há quem faça uma leitura literal. Não sou eu que vou dizer quem está certo ou errado. Pode-se afirmar, no entanto, que existe alguma probabilidade de Jesus ter ressuscitado Lázaro.

Jesus tentou com sucesso outras ressurreições (não sei se esses milagres estão descritos nos evangelhos, mas na “Wikipédia” diz-se que sim). Não se ficou por aqui. Tentou até falhar. Aos oitenta e cinco minutos do jogo de hoje contra o Feirense, atirou finalmente a toalha ao chão: não era possível ressuscitar o Alan Ruiz definitivamente.

Mandou tirar o morto de campo e meteu o Iuri Medeiros, que está vivo e goza de boa saúde, e o Sporting ganhou. Moral da história, estar morto é o contrário de estar vivo e vice-versa ou, em linguagem científica só ao alcance de um Carlos Daniel ou de um Freitas Lobo, jogar com um morto é o mesmo que jogar com dez.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

O verdadeiro combate do século: Eliseu desafia McGregor!

A notícia está a correr mundo. É uma bomba no MMA ou “Mixed Martial Arts” para os que andam mais distraídos e não conhecem esta modalidade. O repórter insustentável não podia perder a oportunidade de uma entrevista ao mais recente ídolo nacional: Eliseu. Encontrámo-lo depois de lutar arduamente com um prato de picanha. Estava a preparar-se para uma sesta com aquele ar de quem nunca é nada com ele, mesmo quando acaba de enfiar uma bolachada num adversário.

Por que razão desafiou o Conor McGregor? O combate do século não deveria ser com o Floyd Mayweather? Acabou de ganhar ao McGregor… 
Esse combate foi uma fantochada. Se é para bater bate-se com tudo o que se tem mais à mão ou ao pé. Se o adversário está a pedir para lhe empurramos com o calcanhar a cana-do-nariz para junto do hipotálamo, não faz sentido nenhum enfiar-lhe um soco na boca. Os homens lutam quando não há regras ou se querem ver livres delas. Lutar com regras não faz sentido nenhum. O McGregor, se quisesse, enfiava-lhe dois biqueiros e resolvia o assunto.

A sua vida vai dar uma grande volta. O que o leva a deixar o estádio da Luz e outros estádios de Portugal para continuar a sua carreira em sucessivas “tournées” organizadas pela UFC (“Ultimate Fighting Championship”)? 
Estou farto da Liga e da FPF. Não organizam nada de jeito. É por estas duas entidades que me vou embora. Vim para o Benfica porque me disserem que tudo era permitido e que podia fazer tudo o que quisesse. É verdade. Mas que interesse tem fazer tudo e mais um par de botas se ninguém marca nada?

Mas acabou de renovar contrato com o Benfica…
Porque me disseram que com o vídeo-árbitro passavam a marcar tudo e é o que se vê. A continuar por cá a minha carreira não sai da cepa torta.

Queixa-se que o Benfica não o apoia? Que não lhe dá todas as condições para evoluir? 
Estão sempre a dizer que não faço nada. O que é que quer que eu pense? Como é que posso evoluir? Não é só o treinador e o presidente. Os adeptos e os comentadores da televisão também. Há dias apliquei um “quebra rótulas” ao Diogo Viana. O árbitro ainda marcou uma canelada a favor dele quando ele nem sequer me tocou. Na televisão, um Senhor Doutor, que faz comentários de MMA, com imagens em câmara lenta e tudo veio dizer que fiz “pé em riste”. Diz que quer levar o MMA para Loures. Diz que enfia uma pantufada nas ventas do Quaresma. Como é que vai fazer isso tudo se confunde um “quebra rótulas” com um “pé em riste”?...

Mas os adversários queixam-se muito de si. Há razões para isso?
Claro que sim. Queixam-se por que elas lhes doem e não é pouco. Em Portugal, há “fair play”. Os adversários reconhecem o que eu faço. As injustiças são tão grandes que são eles próprios a recorrer para a Liga e a FPF. Mesmo assim o que é que acontece? Nada como se eu nunca lhes tivesse feito nada.

Em Espanha o seu trabalho era mais reconhecido? 
Em Espanha é tudo muito diferente. Não interessam as cores das camisolas nem os nomes de ninguém. Só interessa se dás ou se levas. Espetas uma cotovelada num Messi ou num Cristiano Ronaldo e o árbitro marca. Se for num outro jogador qualquer, acontece-te o mesmo. Em Espanha marcavam-me tudo. Em Portugal não me marcam nada.

A ida para UFC vai permitir a sua evolução? Quais são as expectativas?
Gosto de estar dentro de um octógono. Quatro linhas são muito poucas para mim. Para o Caniggia quatro linhas estavam bem. Para mim não dá. Se os lados fossem todos iguais ainda vá que não vá. Assim estão-me sempre a fugir pelo comprimento. Vejo-me e desejo-me para os apanhar, sobretudo o Gelson. A maior parte das vezes não consigo e só vou a tempo de lhes arrear fora das quatro linhas, que não conta para nada.

Vê-se a regressar a Portugal, ao Benfica ou a outro clube qualquer?
Não encaro essa possibilidade. Não quero acabar como o Paulinho Santos que foi o herói de toda uma geração. Nunca mais me vou esquecer de o ver esfregar o cotovelo, uma e outra vez, no céu-da-boca do João Pinto. Veja o que é que lhe aconteceu? Um dia, na Final da Taça, fez bem a montada num argentino e encheu-lhe a cara de socos. O árbitro não marcou nada. O argentino, que era um fiteiro, enfiou-lhe uma cotovela nas fuças ao ponto de elas ficarem tão amolgadas que mais pareciam a montanha-russa da Disneylândia, em Paris, onde levei os miúdos no ano passado. Nunca mais ninguém o respeitou. O Porto ainda o tentou aproveitar nas camadas jovens, para ver se descobria novos talentos para a modalidade. Mas, nessa altura, os árbitros se viam uma camisola deles não marcavam nada. Uma injustiça. Não quero acabar assim.

Desejo-lhe boa sorte, Eliseu. Venham daí esses ossos para despedida. Ai! 
Desculpe o mau jeito, mas não se deve aproximar pelo meu lado esquerdo. Com todas as lesões no plantel, o médico do Benfica nunca mais me faz a operação à catarata deste olho. Só vejo sombras. Na dúvida ponho sempre o cotovelo à frente.

Esta entrevista é um soco no estômago. Causa uma profunda impressão, mesmo em jornalistas experimentados como o insustentável. Estamos condenados a ver os melhores de nós partirem. Partem porque não são piegas. Partem porque partem a cara a qualquer um sem pedir autorização a ninguém. É o sentimento de injustiça, mais do que o dinheiro, que os leva a partir. Estamos condenados a vê-los triunfar lá fora, onde se pode começar a vida de novo sem olhar à cor da camisola que se veste. O jornalismo de investigação faz-se destas denúncias.


(Nem sequer há a possibilidade de existirem coincidências. Não existe semelhança com a realidade. O insustentável repórter não existe. O futebol não é o MMA. É um desporto com regras, em que não se permite qualquer tipo de violência sobre os adversários. Os árbitros estão lá para que assim seja. Se não virem o que deviam ter visto, o vídeo-árbitro verá com toda a certeza. A Liga e a FPD existem para assegurar que essas regras são cumpridas e que existe “fair play”. Estas instituições e todos os protagonistas do futebol estão sempre sob permanente escrutínio de uma imprensa desportiva livre e implacável, doa a quem doer. Este “post” constitui uma simples homenagem ao Mário-Henrique Leiria e uma lembrança das conversas deste Verão com o meu sobrinho João)

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Sunset party

Começamos muito bem, marcamos dois golos, e depois foi desfrutar (não foi, JJ?) o Sunset, os cocktails, as espreguiçadeiras. O Ruiz dá-se bem com os cocktails e com as espreguiçadeiras, e até consegue passar a mensagem ao resto da malta. Nada como uma boa sunset party. Entretanto, assim se arrastou o futebol até ao fim da primeira party, perdão, parte, com os canarinhos a embelezar a festa. A malta da linha está habituada a sunsets. Mais um ou dois lances e, se calhar, um pénalti sobre o Dost.

A segunda party, perdão, parte, foi um prolongamento da primeira, mas desta vez os canarinhos quiseram passar uma ou duas músicas novas, o DJ acedeu, e eles acabaram por marcar um grande golo.  Fim de festa? Não. Houve ainda tempo para falharmos com benevolência sportinguista um golo cantado pelo Dost, e para o árbitro quase expulsar um canarinho por pancadaria no sunset. No final a malta acabou toda a ver uns vídeos muito fixes que abrilhantaram a party.

Curiosamente, os desportivos de hoje (Bola e Record), não perdem a oportunidade de embelezar as capas com referências manhosas ao golo do Estoril anulado (e bem!) pelo vídeo árbitro, embora aquilo se visse bem a olho nu. Por acaso antes disso tinha existido outro golo …anulado ao Sporting. Do penalti apenas o Jogo faz referência.

 PS: Temos jogadores, Bruno Fernandes, Gelson, Acuña. Até o piscinas deu um ar da sua graça no sunset. Mas as espreguiçadeiras levam muitas vezes ao Chill Out, ou mesmo àquelas músicas de elevador. Má onda. Que o diga o Phunder, perdão, o Dost… 

sábado, 26 de agosto de 2017

Peanuts

Não podíamos ter melhor sorteio na Liga dos Campeões. Como ganham sempre os mesmos, resta-nos fazer umas massas e tentar abrilhantar as cores do nosso clube. Para isso é preciso ganhar aos gregos e fazer o melhor possível contra os outros. O melhor possível é não armar ao pingarelho com uma qualquer derrota pela margem mínima no campo do adversário, ou atirar a toalha para o nariz dos adeptos. JJ já foi encomendando uma toalha jeitosa ao afirmar que o objectivo estava cumprido. Saber estar calado é uma das belas artes que definitivamente o treinador do Sporting não domina, pese a proclamada experiência de anos.

Quanto ao resto, não se enganem, está tudo na mesma. O Eliseu Picanhinha voltou a fazer de Maxi, demonstrando a nota artística que ainda predomina por aqueles lados. Dos e-mails que vão surgindo, nada, nem ninguém, quer saber. A comunicação social está atenta. Entretanto, jogadores como o Carrilho (grande época a encher pneus) são enviados para ganhar experiência noutras paragens. Nada de novo a não ser os pezinhos de lá que embalam a encomenda postal. A comunicação social está atenta. Tão atenta que continua a elevar ao olimpo de Massamá, o Guedes, o Sanches e o Gomes. Tudo malta a dar cartas fora do baralho. A comunicação social está atenta. Tão atenta que não deixa passar nada. Ontem até fez uma capa com um guarda-redes de 17 anos que apenas pode assinar (supostamente) este domingo. De certeza que não havia nada de mais importante no mundo da bola. 

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

No meio está a virtude e o entalanço

O meu amigo Júlio Pereira, que consegue racionalizar tudo mesmo a conversa sobre futebol (batendo ao pontos o Pedro Adão e Silva), explicou-me devagarinho, como se fosse um participante do “Love on Top”, por que razão precisamos de contratar novos jogadores todas as épocas. É preciso que alguém acredite que é possível ganhar o Campeonato Nacional. É que os que transitam sabem bem que não é possível. O William Carvalho e o Adrien Silva ficaram a saber que é mais fácil ganhar o Campeonato Europeu com o Fernando Santos a treinador.

O que se está a passar neste momento é inacreditável. O Diretor de Comunicação do Porto, semana após semana, vem divulgando supostos emails comprometedores sobre o Benfica e uma série de gente que vai desde árbitros e seus avaliadores até dirigentes da Liga e da Federação Portuguesa de Futebol. O que é inacreditável não é a divulgação ou o conteúdo dos emails. O que é inacreditável é que ninguém faça nada para esclarecer o assunto. Vamos admitir por um momento que uma trama destas, com denúncias todas as semanas na televisão (verdadeiras ou falsas, pouco importa), envolvia um governo. Acham possível que esse governo fosse deixado em sossego sem investigação jornalística e das entidades competentes? Acham que esse governo estaria em condições de continuar no exercício de funções sem esclarecimento cabal? No mínimo, não ficaria limitado no exercício das suas funções até ao esclarecimento definitivo?

Os emails e o seu conteúdo pouco me interessam. O que me interessa é que tudo seja esclarecido. Até lá, o Sporting fica no meio. Fica com a virtude mas também fica entalado. A existirem, os emails seriam do conhecimento dos próprios, sendo, agora, do conhecimento do Diretor de Comunicação do Porto também. Mesmo que não existam ou estejam truncados ou descontextualizados, a simples suspeita da sua existência confere poder a quem supostamente os conhece. Ainda por cima, quando ninguém sabe exatamente o que cada um conhece, mesmo que não conheça rigorosamente nada. Ninguém vai esclarecer nada? Não há nenhuma entidades que diga que, pelo menos, anda a tentar esclarecer o assunto? O campeonato continua como se nada fosse?

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Breaking News

Perorei vezes sem conta sobre a Liga dos Campeões. Para além da massa, aquilo não interessa nem ao Menino Jesus, e não estou a fazer nenhum trocadilho barato com o nosso Jesus que não é um nenhum menino, que o digam os rapazes do Steaua de Bucareste. Nós participamos para desfrutar e bem, que o graveto já está do lado de cá; mas há opiniões para todos os gostos. Há quem acredite naquilo. Há clubes e adeptos portugueses que pensam que competem verdadeiramente na Liga dos Campeões. Que lhes faça bom proveito.

Estava nestas cogitações quando fiquei a saber que a Juventus e o Barcelona se vão reunir no Mónaco para discutir o André Gomes. A ideia que o André Gomes é discutível sequer em qualquer uma destas equipas é algo que estava longe de imaginar. Se essas duas equipas (quaisquer duas equipas) se reunem para o discutir, então tenho de mudar o que penso sobre o futebol e a Liga dos Campeões. Não tenho dúvidas que somos candidatos a ganhar o grupo. Não se admite que que não o façamos contra duas equipas destas e muito menos que não ganhemos à equipa que finalmente ficar com ele.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Com o Bruno Fernandes assim ainda vou ter de ir de saia para o trabalho

Não me habituo a estar de férias. Nunca me habituei e dificilmente me vou habituar. O tédio invade-me o corpo todo até se alojar junto ao hipotálamo. Estou por tudo. Ontem, vi na SIC Radical a gravação do Flamengo contra o Atlético Goianiense do Brasileirão. Hoje era diferente, apesar de continuar entediado. Só que, como sou do Sporting, não precisava de arranjar desculpas para me convencer a ficar pespegado à frente da televisão durante duas horas a ver o jogo contra o Steaua de Bucareste.

Começámos bem. Instalámo-nos no meio-campo do adversário e empurrámo-lo para trás. Ainda só tínhamos começado a fazer cócegas na defesa quando marcámos o primeiro golo. Lance estudado, bola mandada para a molhada, o Mathieu ganha de cabeça, o Acuña antecipa-se ao corte de um adversário e o Doumbia mete-a lá dentro com o pé que tinha mais à mão. Estes são os golos que mais aprecio. Nenhum jogador dá o lance por perdido, cada um faz um pouco mais do que pode e depois, por um pelinho, a bola encontra o jogador certo.

Segundo o Jorge Jesus, depois do jogo contra ao Guimarães, a equipa estava morta. Para evitar a apoplexia de algum jogador, começou-se a trocar a bola a passo. Até que o Piccini tem um daqueles momentos em que de tanto hesitar acaba por se lhe parar o cérebro. Perde a bola e tudo o que nos pode correr mal corre-nos mal e tudo o que lhes podia correr bem corre-lhes bem. A bola acaba na nossa baliza após tabelar num ex-jogador do Freamunde. Começava a preparar-se uma daquelas peças dramáticas a que estamos habituados e que costumam acabar com um golo do Polga na própria baliza ou assim. Até imaginei o dois a um no último minuto com um remate do Alibec e um frango do Patrício.

No início da segunda parte, a peça continuou a ser bem encenada. Finalmente, o Steaua de Bucareste começava a parecer equipa para o Sporting, como o Jorge Jesus tinha dito. Sabendo disso, meteu o nosso habitual ator principal. Entrando o Bas Dost o resto da malta começou a pensar novamente em golos. Foram mais quatro, todos como uma repetição do episódio anterior: “qualquer coisa antes que ninguém se lembra, bola no Bruno Fernandes e … espera lá … golo!”. No dois a um, o Acuña ainda entrou em pânico quando se viu isolado e de frente para o guarda-redes, mas, depois do ressalto, centrou para a baliza e fez golo. O quarto golo foi de manual. O Bas Dost fez de assassino silencioso para, nas costas do defesa e de primeira, meter a bola junto ao segundo poste, servido por um passe absolutamente genial do Gelson Martins. No quinto, ficámos todos imaginar como é que teria sido o lance se em vez do Coentrão por ali ainda andasse o Zeegelaar ou o Jéfferson.

A nossa desgraça, na época passada, começou exatamente com a fase de grupos da Liga dos Campeões. Espero que tenhamos aprendido alguma coisa. Com menos conversa do Jorge Jesus, com mais Bruno Fernandes, Bas Dost, Mathieu, Coentrão e muitos outros e com a ajuda da bola e do vídeo-árbitro, talvez ainda tenha de ir de saia para o trabalho e, contrariamente ao treinador do Dínamo de Bucareste, com muito gosto.

sábado, 19 de agosto de 2017

Vitória do treinador de bancada

Faltava jogo interior. Era o que todos diziam e entrava pelos olhos dentro. Era necessário colocar jogadores mais no meio e menos colados às linhas. A ideia de colocar os extremos colados às linhas dava origens a uns tantos encontrões com os laterais. O Bruno Fernandes é um excelente jogador de meio-campo mas não é segundo avançado. Mas o Jorge Jesus é que é o rei da tática e, por isso, estava-se hoje, contra o Guimarães, à espera de mais umas tantas adaptações com a possibilidade de chuparmos com a mosca morta do Alan Ruiz a titular.

Por uma vez, fez o óbvio. Trocou os extremos para os obrigar a jogar mais por dentro, ficando a linha para os laterais. O Bruno Fernandes jogou a médio, embora mais avançado. Esta tática tinha dois problemas. Os extremos ainda não estão completamente treinados a jogar assim, como se viu com o Gelson Martins, que andava sempre à procura do melhor pé, para rematar ou centrar, sem o encontrar. Os laterais não têm andamento para correrem para cima e para baixo. Enfim, era um 4x3x3 possível, como diria o Gabriel Alves ou outro do mesmo género.

Não se adaptando os jogadores à tática mas a tática aos jogadores a coisa correu bem. O Bas Dost, sem companhia, deixou de fazer “amorties” e tabelinhas e passou a empurrá-las lá para dentro que é que sabe fazer e faz bem. Não se viu muito mais do que isso mas é isso que está lá para fazer e é conveniente que não o incomodem com outras coisas. O Bruno Fernandes demonstrou que é um excelente médio. Já não me lembrava de um jogador do Sporting a marcar um golo com um remate de fora da área. Hoje vi um a marcar dois. Tendo o Bruno Fernandes por perto, o Adrien sempre faz menos asneiras, dado que não tem de fazer de intelectual da bola. A passo, o Coentrão aproveitou o espaço que estava descoberto porque não andava lá nenhum lateral a perseguir o nosso extremo.

Às vezes fazer o que é simples e o que é óbvio é o mais recomendável. Pode ser que o Jorge Jesus aprenda e nos dispense de umas tantas invenções e adaptações (e de basófias). Este modelo tem muito para evoluir e não sei se funciona em muitos dos jogos contra equipas mais fracas. Jogar com um só ponta-de-lança só serve para fazer cócegas à defesa contrária. Os extremos têm que ter mais golo nas botas. De outra forma, continuam a sair em drible para fora e ficam à procura do pé que não têm (não percebi por que é que o Gelson Martis não meteu pelo menos uma trivela à Quaresma). Têm de aprender a sair no drible por dentro e a saber passar e rematar nestas circunstâncias. Os laterais têm de ter pernas e para fazerem os corredores. Com o Coentrão dos velhos tempos, mesmo com o Piccini, o problema estava resolvido. O problema é que tanto ele como o Mathieu estão permanentemente a desatarraxar-se.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Se é assim que se faça assim

Há pessoas supersticiosas, é um facto. Prefiro estabelecer relações entre factos que se possam demonstrar. Não acredito que se comer um cozido amanhã ao almoço o Sporting vá ganhar ao Guimarães. Acredito mais que o resultado vai decorrer da (in)competência dos jogadores e treinadores. Na vida do dia-a-dia não há bruxos nem bruxarias. Chego a adivinhar com anos de antecedência as asneiras que se vão fazer no trabalho sem que ninguém se lembre de me chamar bruxo. Normalmente chamam-me parvo por não abanar a cabeça ao primeiro imbecil que imagina que tem uma ideia altamente inovadora e que nunca poderia vir de nenhum outro sítio que não fosse do seu cérebro iluminado por umas tantas campanhas a colar cartazes.

No futebol as coisas não se passam assim. Se se acredita em bruxos e bruxarias, não vale a pena falar aos jogadores de simples coincidências ou de expectativas auto-realizáveis. Não sei se o Jorge Jesus acredita em bruxos e bruxarias, mas sabe que no futebol as coisas são assim. Se são assim, então é melhor que se faça assim.

Quando veio do Benfica trouxe o consultor motivacional. O Benfica não se ficou e contratou o Nhaga. Apesar de ter ganhado o Nhaga, a primeira época não correu mal. Na segunda, o consultor motivacional foi-se embora e ainda não arranjámos substituto à altura (pensou-se num primeiro momento que o Octávio Machado pudesse acumular essa função). Não interessa se é um consultor motivacional ou um bruxo, precisamos é de um destes tipos. Se é para apostar forte, o Nhaga dá garantias. Se não estiver disponível, há uma longa lista de consultores motivacionais e de bruxos disponíveis.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Orientados

Sobre o jogo (de ontem) não há muito para dizer, a não ser que em termos de previsibilidade o Sporting já é uma equipa de topo. 

Com os dados disponíveis até ao momento podemos fazer uma análise interessante da época em curso:

Ficamos a saber, por exemplo, que o Mathieu é o nosso melhor defesa esquerdo. Ficamos a saber, por exemplo, que o Mathieu quando sobe com a bola de cabeça levantada e vai por ali fora, é o nosso melhor jogador a fazer de William Carvalho. Ficamos a saber que o William Carvalho quer fazer de William Carvalho noutro sítio. Ficamos a saber que o Fábio Coentrão é o Fábio Coentrão dos últimos tempos (no Real e Mónaco), e não o Fábio Coentrão que foi vendido por um camião de notas (o Sr. Mendes é o melhor jogador de todos). Ficamos a saber que o Fábio Coentrão é sportinguista desde pequenino. Ficamos a saber que do Cristiano Piccini só a parte do Cristiano é que é nome de jogador de futebol, já Piccini, soa a compositor de opereta de segunda categoria, ou a piscinas em italiano, coisa que o senhor faz bem. Ainda nos vai dar muitas alegrias quando for transferido para o Real Massamá. Nota: O Mathieu recusa-se a ser também o nosso melhor defesa direito, já não tem idade para isso.

Ficamos ainda a saber que o Battaglia é muito jeitoso a destruir mesmo quando tenta construir. Ainda viveremos o suficiente para ver o Battaglia fazer falta sobre o Battaglia, ou mesmo o Battaglia errar um passe para o Battaglia. Ficamos a saber que o Adrien se recusa a fazer de Adrien, pelo menos por enquanto, ou pelo menos, com esta camisola. Ficamos a saber que o Podence e o Dost fazem uma dupla fixe a fazer tabelas numa espécie de bilhar de bolso. O Bas Dost, não tarda, também se esquecerá de como se faz de Bas Dost. O Acuña teve uma vida difícil e já está habituado a sofrer. Continuará a ser Acuña sem dificuldades de maior. Como disse o JJ no final: só faltou o golo, o resto até não esteve assim tão mal. Ficamos a saber que continuamos bem orientados…

terça-feira, 15 de agosto de 2017

It’s All Shit

A bola chega ao Patrício e todos sabemos o que vai acontecer. A bola vai para o Coates e todos sabemos o que vai acontecer. E podíamos continuar por aqui fora. Nós sabemos e o adversários também. O pior é que os jogadores também sabem. A maior parte deles leva a bola para o ataque como quem vai para o cadafalso. Na cabeça deles devem passar coisas como: “lá vamos nós outra vez fazer o costume que, como de costume, não vai dar em nada".

Se o treinador não consegue inventar mais nada, se o futebol do Sporting continua cada vez mais na mesma, então os jogadores que se revoltem e passem eles a inventar. Este tédio é que não se aguenta. Estou como o Iggy Pop no “It’s All Shit”.

"If it walks like shit
Talks like shit
It must be shit

If it feels like shit
Tastes like shit
It must be shit

If it looks like shit
Sounds like shit
It must be shit

If it smells like shit
Tells like shit
It must be shit"

(Um derrota contra o Guimarães e outra contra o Steaua de Bucareste e voltamos à casa de partida cerca de cinco ano depois só que, agora, não recebemos um Leonardo Jardim)