sábado, 19 de agosto de 2017

Vitória do treinador de bancada

Faltava jogo interior. Era o que todos diziam e entrava pelos olhos dentro. Era necessário colocar jogadores mais no meio e menos colados às linhas. A ideia de colocar os extremos colados às linhas dava origens a uns tantos encontrões com os laterais. O Bruno Fernandes é um excelente jogador de meio-campo mas não é segundo avançado. Mas o Jorge Jesus é que é o rei da tática e, por isso, estava-se hoje, contra o Guimarães, à espera de mais umas tantas adaptações com a possibilidade de chuparmos com a mosca morta do Alan Ruiz a titular.

Por uma vez, fez o óbvio. Trocou os extremos para os obrigar a jogar mais por dentro, ficando a linha para os laterais. O Bruno Fernandes jogou a médio, embora mais avançado. Esta tática tinha dois problemas. Os extremos ainda não estão completamente treinados a jogar assim, como se viu com o Gelson Martins, que andava sempre à procura do melhor pé, para rematar ou centrar, sem o encontrar. Os laterais não têm andamento para correrem para cima e para baixo. Enfim, era um 4x3x3 possível, como diria o Gabriel Alves ou outro do mesmo género.

Não se adaptando os jogadores à tática mas a tática aos jogadores a coisa correu bem. O Bas Dost, sem companhia, deixou de fazer “amorties” e tabelinhas e passou a empurrá-las lá para dentro que é que sabe fazer e faz bem. Não se viu muito mais do que isso mas é isso que está lá para fazer e é conveniente que não o incomodem com outras coisas. O Bruno Fernandes demonstrou que é um excelente médio. Já não me lembrava de um jogador do Sporting a marcar um golo com um remate de fora da área. Hoje vi um a marcar dois. Tendo o Bruno Fernandes por perto, o Adrien sempre faz menos asneiras, dado que não tem de fazer de intelectual da bola. A passo, o Coentrão aproveitou o espaço que estava descoberto porque não andava lá nenhum lateral a perseguir o nosso extremo.

Às vezes fazer o que é simples e o que é óbvio é o mais recomendável. Pode ser que o Jorge Jesus aprenda e nos dispense de umas tantas invenções e adaptações (e de basófias). Este modelo tem muito para evoluir e não sei se funciona em muitos dos jogos contra equipas mais fracas. Jogar com um só ponta-de-lança só serve para fazer cócegas à defesa contrária. Os extremos têm que ter mais golo nas botas. De outra forma, continuam a sair em drible para fora e ficam à procura do pé que não têm (não percebi por que é que o Gelson Martis não meteu pelo menos uma trivela à Quaresma). Têm de aprender a sair no drible por dentro e a saber passar e rematar nestas circunstâncias. Os laterais têm de ter pernas e para fazerem os corredores. Com o Coentrão dos velhos tempos, mesmo com o Piccini, o problema estava resolvido. O problema é que tanto ele como o Mathieu estão permanentemente a desatarraxar-se.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Se é assim que se faça assim

Há pessoas supersticiosas, é um facto. Prefiro estabelecer relações entre factos que se possam demonstrar. Não acredito que se comer um cozido amanhã ao almoço o Sporting vá ganhar ao Guimarães. Acredito mais que o resultado vai decorrer da (in)competência dos jogadores e treinadores. Na vida do dia-a-dia não há bruxos nem bruxarias. Chego a adivinhar com anos de antecedência as asneiras que se vão fazer no trabalho sem que ninguém se lembre de me chamar bruxo. Normalmente chamam-me parvo por não abanar a cabeça ao primeiro imbecil que imagina que tem uma ideia altamente inovadora e que nunca poderia vir de nenhum outro sítio que não fosse do seu cérebro iluminado por umas tantas campanhas a colar cartazes.

No futebol as coisas não se passam assim. Se se acredita em bruxos e bruxarias, não vale a pena falar aos jogadores de simples coincidências ou de expectativas auto-realizáveis. Não sei se o Jorge Jesus acredita em bruxos e bruxarias, mas sabe que no futebol as coisas são assim. Se são assim, então é melhor que se faça assim.

Quando veio do Benfica trouxe o consultor motivacional. O Benfica não se ficou e contratou o Nhaga. Apesar de ter ganhado o Nhaga, a primeira época não correu mal. Na segunda, o consultor motivacional foi-se embora e ainda não arranjámos substituto à altura (pensou-se num primeiro momento que o Octávio Machado pudesse acumular essa função). Não interessa se é um consultor motivacional ou um bruxo, precisamos é de um destes tipos. Se é para apostar forte, o Nhaga dá garantias. Se não estiver disponível, há uma longa lista de consultores motivacionais e de bruxos disponíveis.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Orientados

Sobre o jogo (de ontem) não há muito para dizer, a não ser que em termos de previsibilidade o Sporting já é uma equipa de topo. 

Com os dados disponíveis até ao momento podemos fazer uma análise interessante da época em curso:

Ficamos a saber, por exemplo, que o Mathieu é o nosso melhor defesa esquerdo. Ficamos a saber, por exemplo, que o Mathieu quando sobe com a bola de cabeça levantada e vai por ali fora, é o nosso melhor jogador a fazer de William Carvalho. Ficamos a saber que o William Carvalho quer fazer de William Carvalho noutro sítio. Ficamos a saber que o Fábio Coentrão é o Fábio Coentrão dos últimos tempos (no Real e Mónaco), e não o Fábio Coentrão que foi vendido por um camião de notas (o Sr. Mendes é o melhor jogador de todos). Ficamos a saber que o Fábio Coentrão é sportinguista desde pequenino. Ficamos a saber que do Cristiano Piccini só a parte do Cristiano é que é nome de jogador de futebol, já Piccini, soa a compositor de opereta de segunda categoria, ou a piscinas em italiano, coisa que o senhor faz bem. Ainda nos vai dar muitas alegrias quando for transferido para o Real Massamá. Nota: O Mathieu recusa-se a ser também o nosso melhor defesa direito, já não tem idade para isso.

Ficamos ainda a saber que o Battaglia é muito jeitoso a destruir mesmo quando tenta construir. Ainda viveremos o suficiente para ver o Battaglia fazer falta sobre o Battaglia, ou mesmo o Battaglia errar um passe para o Battaglia. Ficamos a saber que o Adrien se recusa a fazer de Adrien, pelo menos por enquanto, ou pelo menos, com esta camisola. Ficamos a saber que o Podence e o Dost fazem uma dupla fixe a fazer tabelas numa espécie de bilhar de bolso. O Bas Dost, não tarda, também se esquecerá de como se faz de Bas Dost. O Acuña teve uma vida difícil e já está habituado a sofrer. Continuará a ser Acuña sem dificuldades de maior. Como disse o JJ no final: só faltou o golo, o resto até não esteve assim tão mal. Ficamos a saber que continuamos bem orientados…

terça-feira, 15 de agosto de 2017

It’s All Shit

A bola chega ao Patrício e todos sabemos o que vai acontecer. A bola vai para o Coates e todos sabemos o que vai acontecer. E podíamos continuar por aqui fora. Nós sabemos e o adversários também. O pior é que os jogadores também sabem. A maior parte deles leva a bola para o ataque como quem vai para o cadafalso. Na cabeça deles devem passar coisas como: “lá vamos nós outra vez fazer o costume que, como de costume, não vai dar em nada".

Se o treinador não consegue inventar mais nada, se o futebol do Sporting continua cada vez mais na mesma, então os jogadores que se revoltem e passem eles a inventar. Este tédio é que não se aguenta. Estou como o Iggy Pop no “It’s All Shit”.

"If it walks like shit
Talks like shit
It must be shit

If it feels like shit
Tastes like shit
It must be shit

If it looks like shit
Sounds like shit
It must be shit

If it smells like shit
Tells like shit
It must be shit"

(Um derrota contra o Guimarães e outra contra o Steaua de Bucareste e voltamos à casa de partida cerca de cinco ano depois só que, agora, não recebemos um Leonardo Jardim)

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

A história repete-se

A História repete-se pelo menos duas vezes. A primeira como tragédia, a segunda como farsa. Penso que foi uma dupla de avançados de peso quem disse isso: Hegel e Marx. Uma espécie de Bas Dost e Doumbia da época. O Cantinho do Morais, no seu comentário ao “post” anterior, recria essa citação para os tempos atuais e para o Sporting. Para ele, e para nós, a história repete-se sempre como farsa.

sábado, 12 de agosto de 2017

Primeira vitória em casa com autorização do IPDJ

Primeiro jogo e primeira vitória em casa, com a devida autorização do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). A falta da contração da preposição (de) com o artigo definido feminino (a) antes da “Juventude” deixa-me desconfortável, por um lado, e satisfeito, por outro. Aparentemente este instituto só trata da juventude desportista ou do desporto jovem. Não encaixo em nenhuma destas categorias, é mau, porque definitivamente não posso ser um jovem mesmo que me decida a fazer “jogging” todos os dias, e é bom, porque não tenho o IPDJ à perna se me dedicar à pesca desportiva, como o Benfica. Bem, o Benfica também não tem verdadeiramente, como se demonstrou, dada a idade do Luís Filipe Vieira.

Estava à espera de umas tantas adaptações do Jorge Jesus. Tinha muitas expetativas quanto ao desempenho do Bruno César a lateral direito. À falta de golos do Podence, estava muito esperançado também nos golos do Bruno Fernandes. Enquanto não é adaptado a qualquer outra função, o Bas Dost faz o que sabe e gosta de fazer, um privilegiado até ver, já que o Mathieu não é de confiança. Não é de confiança a defender, mas pode ser adaptado a ponta de lança, como se viu naquele pontapé de moinho (gostei de ver o rapaz a sair em corrida com a posse de bola). O Bas Dost está a ser adaptado a segundo avançado, tal foi a quantidade de tabelinhas e amorties para finalizações disparatadas dos seus colegas de equipa.

Gosto cada vez mais do Battaglia. Não me lembro de termos um jogador no Sporting assim desde o Vidigal. Com ele em campo, os centrais só precisam de se preocupar em não calcar os adversários, quando eles lhes caem aos pés, depois de virem enrolados nele. Agora, não é o William Carvalho e a malta tem de se habituar a isso. O Bruno Fernandes é melhor a jogar no lugar do Bruno Fernandes do que o Adrien a jogar no lugar do Adrien. É pena que queiram pescar o William Carvalho e ninguém pesque o Adrien, apesar de estarmos disponíveis para o deixar pescar sem minhoca e tudo.

Vamos ao que interessa. O Jorge Jesus não surpreendeu e não adaptou ninguém, mas resolveu dar uma hora de avanço ao adversário. Continuo a não perceber por que é que se começam estes jogos contra estas equipas, como o Setúbal, a fazer cócegas à defesa. Com o Bas Dost e o Doumbia, nos últimos trinta minutos, sem jogar bem, criámos mais oportunidades e rematámos mais vezes do que na hora anterior. É que naquele meio-campo falta poder de fogo. O Alan Ruiz até remata bem. O problema é que demora tanto tempo a fazê-lo que chega a denunciar que o vai fazer ainda no jogo anterior. Também não se percebe a substituição do Acuña, apesar de estar a ficar um pouco chocho. Percebe-se a entrada do Bruno César. O que não se percebe é por que razão continuou o Jonathan Silva. Trata-se de um caso irremediavelmente perdido.

Praticamente só falta falar no Rui Patrício. Neste tipo de jogos está cada vez melhor. Fica bem com aquele cabelo empastado e a barba aparada. Ando há dois meses a tentar arranjar uma barba assim e não consigo.

domingo, 6 de agosto de 2017

Sinais promissores

Ganhámos. Marcámos dois golos, não sofremos nenhum e não precisámos do vídeo-árbitro. Estamos em primeiro. Quem quer ver ópera vai ao S. Carlos. Quem quer ver uns tipos a correr de calções vai ao Mundial de Atletismo, em Londres. Limpinho, limpinho, como diria o outro, que agora é o nosso. Isto é o que manda dizer o livro de estilo de qualquer “blogger” que ande a escrever sobre bola depois de um jogo como o de hoje contra o Aves.

Finalmente temos um argentino feio. Ele também o sabe e sabe viver com isso. Não lhe resta outra alternativa que não seja jogar à bola, isto é, atacar, defender, correr, rematar e cruzar. Estava um pouco farto do Bryan Ruiz a fazer a sempre a revienga do costume, culminada com a passagem das mãos pela cabeça para ajeitar a melena. O Acuña faz o que é preciso fazer por que sabe que não pode ganhar a vida de outra forma.

Parece que também temos outro argentino parecido com um argentino: um tal de Battaglia. Tinha saudades daqueles meio-campistas que estão sempre a tropeçar na bola e nos adversários, acabando tudo numa confusão e nuns carrinhos. O rapaz também parece ter auto-estima. Não me parece que o Jorge Jesus o tenha metido para fazer uma jogada de ataque que desse o segundo golo. Entrou para a retranca que o Aves estava a agigantar-se e mais parecia o Steaua de Bucareste.

Há um enorme “upgrade” na direita. O Schelotto tinha a mania de querer participar no ataque e de emparelhar com o Gelson, que, industriado pelo Jorge Jesus ou por ser bom companheiro, levava a sério essa vontade, passando-lhe a bola e condenando logo ali qualquer jogada. Com o Piccini a música é outra. A tremedeira a defender é tanta que, na dúvida, não passa do meio campo (ficou na retina, como se costuma dizer, o passe a rasgar para as costas do Coates, deixando o avançado do Aves isolado).

De uma vez por todas, é preciso que a equipa e ele próprio percebam quem é o craque. Se pensa que é o Bruno de Carvalho, está enganado. Deixou de ir para o banco. Também não é o Jorge Jesus, embora esteja convencido disso. Podia ser o Octávio Machado, mas agora é tarde. O craque da equipa é o Gelson Martins. É preciso que todos tenham consciência disso e que o rapaz se consciencialize disso também. Ao craque não se dão orientações quando tem a bola. Faz o que lhe vier à cabeça e ninguém tem nada com isso. É que o rapaz continua a hesitar em certas situações, enquanto procura o Bas Dost como lhe disse o mister. É preciso dizer-lhe que quando lhe der na cabeça pode, como hoje, entrar na área e marcar golos sem pedir autorização a ninguém.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Fora d'época

Confesso que não tenho paciência para os jogos de pré-época. Este ano ainda menos, já que fomos brindados estes meses com as revelações dos e-mails e mais uma série de sonolentas prestações da seleção: por motivos diferentes fazem com que a vontade de ver futebol seja menos que nenhuma.

Assim, vou analisar as mudanças no plantel do Sporting apenas com base no pouco que sei sobre quem chega e quem vai embora.

Pelo percurso parece-me evidente que Bruno Fernandes e Acuna têm um grande potencial. O mesmo se poderia dizer de Podence e Iuri Medeiros ainda que estes tenham contra eles o facto de não terem custado uma pipa de massa (elemento já devidamente discutido noutros posts deste mesmo blog).

Doumbia pode ser um excelente reforço. Pode ser o início do processo de minimização dos danos de uma venda do Bas Dost em Dezembro ou Junho, e deve chegar para pôr o Alan Ruiz na bancada. Ainda não sei qual das duas é mais importante.

Fábio Coentão e Mathieu podem ser reforços de grande experiência e qualidade, ou mais dois famosos a mudar-se para Lisboa para aproveitar o sol e o mar. Veremos o que nos espera.

Tobias e André Pinto são grandes, feios e maus (em sentido figurativo, leia-se). Em princípio, são atributos mais do que suficientes para serem centrais à altura de um jogo contra um Belenenses ou um Tondela desta vida.

Ainda não sei se o Jorge Jesus pensa jogar com defesa direito. A crer na lista de contratações e dispensas não me parece que seja o caso.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

A melhor contratação do futebol português

O vídeo-árbitro não resolve todos os potenciais erros da arbitragem. Não vale a pena ter grandes ilusões quanto a isso. Os testes até agora não são completamente conclusivos. Tem é a (grande) vantagem de demonstrar, se dúvidas existissem, que o trabalho dos árbitros condiciona e de que maneira os resultados. Em dois jogos, passámos de dois empates para duas vitórias em resultado do funcionamento do vídeo-árbitro (as duas decisões, num campeonato, rendiam quatro pontos).

Os árbitros também já perceberam, e os que não perceberam vão perceber rapidamente, que os erros são muito menos desculpáveis. Vai haver margem para controvérsia na mesma. Mas, agora, sabemos bem que os árbitros antes de tomarem a decisão final têm o recurso a imagens e tempo para ponderarem. Deixaram de existir algumas desculpas, como o ângulo de visão, o bom ou o mau posicionamento. Se errarem, depois de consultado o vídeo-árbitro, deixa de haver desculpas.

Há quem diga que se perde a espontaneidade dos festejos e essa alegria. Quanto à primeira alegria, aos primeiros festejos, que é puramente instintiva, em bom rigor, nada muda. É que ninguém refere a tristeza de ver um golo anulado. No passado, também festejávamos primeiro e só depois é que víamos o árbitro ou o bandeirinha a anular um golo. Isso não muda. Só que agora ficamos um pouco mais descansados e temos menos razões para insultar o árbitro e a sua querida mãezinha.

sábado, 29 de julho de 2017

Brevíssima análise


Peço desde já desculpa mas não vou perder muito tempo a analisar o jogo, jogadores, táticas e desempenhos caso a caso. Estou com pressa.

 Ganhámos carago! Não sofremos golos, carago! O vídeo árbitro é nosso amigo, carago!

Gostei daquele central novo, calmo, senhor da situação, ponderado, sempre no sítio certo, bom domínio de bola e sempre a colocar bem a bola. Não, não estou a falar do Tobias, estou a falar do outro.
Também gostei daquele rapaz que faz justiça ao nome e batalha. Aposto que mesmo algemado de pés e mãos e vendado era capaz de acertar mais na bola e dar mais dinâmica ao jogo do que o Alan Ruiz.
Houve outros jogadores interessantes como o Podence, o Bas, o Bruno F. mas, mais uma vez a minhas desculpas,  tenho que despachar isto para ir ouvir os painéis a falar dos imensos perigos e defeitos do vídeo-árbitro e de como o Arsenal é grande, muito grande.
Fica para a próxima.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Tem lógica

A pré-época futebolística não é apenas aquilo que acontece antes da época futebolística, não, a pré-época futebolística é uma preparação da época futebolística e nesse sentido é parte integrante desta, não um mero apêndice com uma tabuleta a dizer: treinos. O planeamento, a estratégia, a gestão do plantel assentam numa boa pré-época que, começa, naturalmente, com o rescaldo da época anterior. Quando temos o mesmo treinador (e estrutura directiva) durante as últimas duas épocas, já para não falar das duas últimas pré-épocas, sem contar com esta (sem quaisquer resultados), pressupõe-se que a pré-época (esta em que nos encontramos) e o rescaldo das anteriores assumam uma importância ainda maior na gestão da época que se avizinha.

Nesse sentido, poderiam existir outros, ocultos, fiquemo-nos pelo que está à vista, e o que está à vista dos estrategos de trazer por casa como eu é uma navegação à bolina, reiterando estratégias passadas, isto é, não existir estratégia alguma, e fé em deus: regressam jogadores à base (outros vieram no meio da época para fazer número no banco) para voltarem a ser emprestados, compram-se ou alugam-se mais uma dúzia de “craques” bem pagos, alguns com visto gold para a reforma, despacham-se jogadores que no ano anterior renovaram contrato (sem ninguém perceber na altura porquê) por serem apostas do treinador, e junto à linha de meta vão (podem estar certos disso) acabar por ser vendidos dois ou três dos nossos melhores jogadores para equilibrar as contas e servir de álibi a uma (hipotética) má época.

Os resultados são o menos importante. Até quando? 

segunda-feira, 17 de julho de 2017

A lógica oculta das contratações e dispensas: Fábio Coentrão e Jonathan Silva

Contratámos o Fábio Coentrão para lateral esquerdo. Não se sabe se o homem vem inteiro e muito menos se continuará inteiro a época toda. Se continuar, é uma excelente aquisição. Como alternativa fizemos regressar um tal de Jonathan Silva. Se bem me lembro, é um argentino que contratámos na época 2014-2015.

Não conseguiu ser titular indiscutível, sendo mais vezes segunda opção, atrás do Jéfferson (que acabámos de emprestar), do que primeira para essa posição. Ao fim de meia hora estava sempre com os bofes de fora. Para a frente as coisas não corriam muito mal. O problema era mesma a defender. Ao pé dele, até o Marvin Zeegelaar parece o titular da seleção italiana. Quem tiver dúvidas pode sempre rever o jogo em que perdemos três zero contra o Porto. Resta-nos acreditar que, dois anos depois, esteja como o Vinho do Porto.

sábado, 15 de julho de 2017

A lógica oculta das contratações e dispensas: Francisco Geraldes e Bruno Fernandes

Na época passada, houve muitas dificuldades em se enquadrar o Francisco Geraldes no sistema tático da equipa. De acordo com o treinador, o rapaz não era nem oito nem dez, podendo ser um género de extremo à João Mário. Acabou, praticamente o tempo todo, no banco, na bancada e a jogar pela Equipa B.

Este ano contratámos o Bruno Fernandes. Também se diz que o rapaz não é bem um oito nem um dez, podendo ser uma outra coisa qualquer em função das opções táticas do treinador. Como custou 8 milhões de euros, o seu posicionamento tático parece não importar. Se viesse à borla, tudo seria diferente. É um género de “a acavalo dado…” mas ao contrário.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Tainadas

Parece que uns secretários de estado do actual governo saíram, um ano depois, diga-se, em consequência de algumas actividades (supostamente) incompatíveis com o cargo que exerciam. O facto de terem aceitado (ou pediram mesmo?) uns convites da EDP (com quem a tutela mantém ligações,) na forma de bilhetes e viagens, para assistirem a jogos da selecção portuguesa no último europeu de futebol, seria (supostamente) indicativo de relações impróprias ou menos transparentes, isto para utilizar uma linguagem eufemisticamente adequada. Seriam?

Ora este seriam, encerra todo um programa que desagua na necessidade (segundo a Assembleia da República) de se repensar estas situações, incluindo, por exemplo, a possibilidade de se definir um tecto máximo para estas prendas. Tecto esse que, por exemplo, no parlamento europeu é de … 150 Euros. Poucochinho, não acham?

Nesta perspectiva, será assim tão irrelevante pensar num tecto desse tipo para os brindes oferecidos pelos clubes? Pensar em controlar (a sério) ofertas como vouchers, bilhetes, passeatas, viagens, a árbitros, delegados, ou outros agentes desportivos, será assim tão descabido? É que, como recentemente assistimos no caso dos vouchers, havia muito boa gente a declarar a inocência destes (supostos) brindes. Como se existissem tainadas grátis. Ou mesmo almoços no vegetariano, com fruta e tudo…


quinta-feira, 13 de julho de 2017

A lógica oculta das contratações e dispensas: Schelotto

O Schelotto chegou na época de 2014-2015 por um período de seis meses. Não vou fazer grandes análises à valia do jogador. Desde sempre, foi como o algodão: não enganou ninguém. Ao fim de meia época, o Jesus viu-lhe as virtudes necessárias para lhe fazermos um contrato de quatro temporadas.

Finda a época seguinte, queremos ver-nos livre do homem a qualquer preço, não o integrando sequer no lote dos convocados para fazer a pré-época. Quando um jogador conclui o período de experiência, convém que, pelo menos na cabeça do treinador, a experiência seja conclusiva. O arrependimento sai caro.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

A lógica oculta das contratações e dispensas: Iuri Medeiros

Só estamos disponíveis para vender o Iuri Medeiros por 20 milhões de euros. Comprámos o Alan Ruiz por 8 milhões e agora queremos comprar um outro argentino qualquer por um preço dessa magnitude também. Em termos relativos, estamos a considerar que o Iuri Medeiros é melhor do que qualquer um destes argentinos. O que nos diz a simples lógica é que devíamos ter ficado (e devíamos ficar) com o Iuri Medeiros, não contratando argentinos ou de outra nacionalidade qualquer para um lugar que pudesse ser o dele.

Não foi isso que aconteceu na época passada e, ou muito me engano, também não vai acontecer nesta. Esta opção só se explica por decisão do Jorge Jesus, por razões de natureza tática, admite-se. É importante encontrar táticas mais baratas. Em regra, o caro sai caro e o barato sai barato, por muito que se pense o contrário, e nem sempre o caro é melhor do que o barato.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Aberto até de madrugada

Num destes dias um amigo dizia-me ter saudades da bola a sério, isto é, de ver jogar o Sporting. Até meteu uns vídeos no telemóvel com cânticos e tudo. “Espero em Setembro ou Outubro não estar a desejar que a coisa acabe depressa”, acrescentou. “Há duas formas distintas de desejar que a coisa acabe depressa”, disse-lhe eu. Ele percebeu e a conversa foi para outro lado.

Vamos lá ver então quais são essas duas formas de sentir a coisa. A boa: começarmos bem o campeonato e estarmos na fase de grupos da champions com a massa no bolso; a má: ao pesadelo de uma (hipotética) eliminação da champions juntarmos um mau início de campeonato e… desejar que tudo acabe depressa.

Na verdade, acreditar num destes acontecimentos não é, de todo, um desvario. Sabemos das nossas recentes ausências participadas na Europa, tanto na Liga dos Campeões como na Liga Europa, esta última, repasto bem interessante para clubes pequenos como o Manchester United de Mourinho, que a ela se agarrou como única liana possível de salvação. E temos alguns tubarões a rondar a costa, todos eles ansiosos por Europa e carcanhol: Liverpool, Nápoles, Ajax, Lyon, Sevilha (cito de cor, provavelmente não são todos cabeças de série), entre outros. Com a postura do costume o melhor é adoptar um santinho (na selecção costuma resultar), ou contratar um bruxo.

Para além disso, temos, mais uma vez,  que contar com um defeso de quase três meses, mas apenas no que toca ao mercado. Isto é, a bola começa a rolar em final de Julho em termos europeus e início de Agosto a nível interno, mas o mercado fica aberto até de madrugada. Sabemos bem o que aconteceu o ano passado. Este ano a procissão ainda vai no adro, a agitação ainda está flat, com toda a gente à espera das marés vivas. Pelo meio ainda nos divertimos com a silly season das transferências, como aquela da Napachacha Selevava. Valha-nos isso. 

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Quatro, logo quatro!

Este fim-de-semana, o Expresso informou-nos que o Benfica contratou quatro sociedades de advogados. Não só nos informou como fez dessa notícia capa do jornal. A notícia estava cheia de fontes que disseram coisas, mas fiquei mais ou menos na mesma.

Fiquei sobretudo sem perceber a razão de ser do número. Quando nos sentimos culpados contratamos quatro sociedades? Ou é quando nos sentimos inocentes? E quatro porquê? Quatro porque sim? Quatro por que é um número maior do que três e menor do que cinco? É que as sociedades contratadas atuam praticamente em todas as áreas do direito.

Vamos admitir, por hipótese, que o Benfica está a precisar de quatro advogados. É preferível quatro advogados de uma mesma sociedade ou quatro de quatro diferentes sociedades? Sem qualquer explicação, acabamos por voltar ao por “200 euros é o tempo que se quiser […] se for a três são 400 euros”. Estamos sempre em presença de funções de produção que não apresentam rendimentos crescentes à escala.

Aparentemente, esta função de produção não depende da atividade económica. Depende do clube de futebol. Com o Benfica, é igual quer se trate de advogados e de sociedades de advogados ou da mais velha profissão do mundo, isto é, estamos sempre em presença de funções de produção homogéneas. Só esta é que pode ser a notícia. A ser, então devia estar no caderno de Economia.

sábado, 8 de julho de 2017

“Matéria Amativa”



Há uma nova versão do “amor à camisola”. Esse amor só existe se for amor à camisola do Benfica. É concebível que se troque uma outra camisola pela do Benfica, isso é amor. Pode ser até paixão, se vier do Sporting. Já quem se apaixonar por outras camisolas abandonando o Benfica, trata-se de um ser ignóbil, de um eunuco, de um fingidor, um interesseiro, um ogre incapaz de amar.
Antigamente, num país ainda mais atrasado, minado pela ignorância, pelo sexismo e pela tolerância (quase legal) face à violência doméstica, dizia-se com bonomia machista e autoritária que “quem não era do Benfica não era bom chefe de família”. Hoje, mais evoluídos, o que parece vigorar é que “quem não ama o Benfica, não ama de todo”.
Não tenho um medidor de “matéria amativa”, utilizando o conceito poético do meu amigo Virgílio, mas acho que cada um é livre de amar o que quiser. Até o Benfica.